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Pedagogia · FGV · 2023

Questão comentada de Pedagogia

A concepção utilitarista da educação e a representação que toma o meio ambiente como mero repositório de recursos, adotadas pela “educação para o desenvolvimento sustentável”, mostram-se nitidamente reducionistas com respeito a uma educação fundamental preocupada em otimizar a teia de relações entre as pessoas, o grupo social a que pertencem e o meio ambiente. Adaptado de SAUVÉ, Lucie. “Educação Ambiental: possibilidades e limitações”. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 317-322, maio/ago. 2005. O trecho acima expõe uma crítica à ideia de “educação para o desenvolvimento sustentável”. Isso se dá porque esse ponto de vista não é capaz de

Gabarito: C

A expressão “educação para o desenvolvimento sustentável” costuma aparecer com uma roupagem simpática, mas a crítica de Lucie Sauvé aponta um limite importante: muitas vezes ela reduz a educação ambiental a uma lógica de gestão eficiente dos recursos, quase como se a natureza fosse apenas uma despensa a ser administrada com bom senso econômico. Isso é pouco para uma educação realmente transformadora, porque a relação com o meio ambiente envolve cultura, justiça social, ética, participação e formas de vida, não só produtividade e cálculo de ganhos futuros. Quando a educação fica presa ao utilitarismo, ela tende a ensinar “como usar melhor” os recursos, mas não necessariamente a questionar por que se explora, quem decide, quem lucra e quem sofre os impactos. É por isso que a crítica do texto mira uma visão reducionista: ela não alcança uma relação com a natureza que seja autônoma em relação aos interesses econômicos. Em outras palavras, falta a dimensão emancipadora e crítica. No Brasil, a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei 9.795/1999) já sugere uma abordagem mais ampla, ao tratar a educação ambiental como processo permanente, integrado e voltado à construção de valores, conhecimentos e atitudes. A ideia não é só “economizar recursos”, mas formar sujeitos capazes de ler o mundo, agir coletivamente e compreender a complexa teia entre sociedade e ambiente. Por isso, o gabarito é a letra C: o texto critica a educação para o desenvolvimento sustentável justamente porque ela não consegue sustentar uma relação com o meio ambiente que não esteja subordinada aos ditames da economia. A pegada da questão é essa: se a economia manda em tudo, a educação ambiental fica pequena demais.

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