Leia o fragmento a seguir. A concepção de infância no Ocidente é um conjunto de sentidos de caráter normativo que, de maneira geral, prescreve seu brincar, sua sociabilidade, sua estética, sua higiene, seus hábitos etc., e enfatiza o caráter normalizador e disciplinar. Essa visão revela uma concepção de criança que deve ter determinada infância para desabrochar no adulto. O foco é o adulto. ABRAMOWICZ, A.; LEVCOVITZ, D. Tal infância. Qual criança? In: Afirmando diferenças: Montando o quebra-cabeça da diversidade na escola. Campinas, SP: Papirus, 2005. (Adaptado) Considerando o que as autoras defendem no fragmento acima, assinale a afirmativa correta.
- A)A criança deve ser direcionada pela escola a se desenvolver conforme um modelo predeterminado de adulto.
Errada, porque reafirma a lógica criticada no texto: a criança seria dirigida para se adequar a um modelo predeterminado de adulto.
- B)A criança deve ser entendida conforme o projeto de vida que elaborar, que define o que deseja ser no futuro.
Errada, porque desloca a infância para um projeto individual de futuro, quando o fragmento defende o valor da experiência infantil no presente.
- C)A criança deve ser tomada a partir de seu momento atual de vida, podendo experimentá-lo sem modelos prévios.
Certa, porque entende a criança a partir de sua vivência atual, sem submetê-la a modelos prévios de infância ou de adulto.
- D)A criança deve ser induzida a se contrapor aos processos pedagógicos, que são intrinsecamente normalizadores.
Errada, porque exagera ao tratar os processos pedagógicos como intrinsecamente normalizadores, quando a crítica do texto é a uma concepção específica de infância, não à pedagogia em si.
Gabarito: C
O fragmento critica uma ideia muito comum em certas leituras tradicionais da infância: a de que a criança existe para virar adulto e, por isso, deve ser moldada desde cedo por padrões de comportamento, higiene, estética, sociabilidade e brincadeiras. Nessa visão, a infância vira quase uma “sala de preparo” para outra fase da vida, e não um tempo com valor próprio. É justamente isso que as autoras questionam. Na Educação Infantil, a criança não deve ser tratada como um adulto em miniatura nem como alguém que precisa ser encaixado em um modelo único de desenvolvimento. O centro da ação pedagógica deve ser a própria criança, com sua forma de pensar, brincar, explorar, falar e sentir no presente. Em outras palavras, a infância é vivida agora, não só como uma promessa do futuro. Por isso, a alternativa C está correta: ela reconhece a criança a partir de seu momento atual de vida, permitindo que ela experimente a infância sem ficar presa a modelos prévios. Essa ideia conversa bem com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que destaca os direitos de aprendizagem na Educação Infantil, como conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. As demais alternativas retomam justamente o que o texto critica: controle excessivo, foco no adulto e padronização da experiência infantil. Em concurso, quando aparecer esse tipo de enunciado, procure a resposta que valoriza a criança como sujeito de direitos no presente, e não como projeto de adulto em fase de acabamento.