O motor, o afetivo, o cognitivo, embora cada um desses aspectos tenha identidade estrutural e funcional diferenciada, estão tão integrados que cada um é parte constitutiva dos outros. Qualquer atividade motora tem ressonâncias afetivas e cognitivas; toda disposição afetiva tem ressonâncias motoras e cognitivas; toda operação mental tem ressonâncias afetivas e motoras. E todas essas ressonâncias têm um impacto no quarto conjunto: a pessoa. Adaptado de MAHONEY, A. “Introdução”. ln: WALLON, Henri. Psicologia e educação. São Paulo: Loyola, 2000. O trecho acima descreve os pressupostos fundamentais da ideia de educação
- A)continuada.
Errada, porque educação continuada se refere à formação ao longo da vida ou à atualização permanente, e não à integração entre dimensões do desenvolvimento humano.
- B)integral.
Certa, porque o trecho defende a formação do aluno de modo completo, articulando motor, afetivo e cognitivo, o que caracteriza a educação integral.
- C)colaborativa.
Errada, porque educação colaborativa destaca cooperação entre sujeitos, e o texto trata da integração interna das dimensões da pessoa, não de trabalho em grupo.
- D)inclusiva.
Errada, porque educação inclusiva diz respeito ao acesso, participação e aprendizagem de ყველას, especialmente de estudantes com necessidades específicas, o que não é o foco do trecho.
- E)híbrida.
Errada, porque educação híbrida combina atividades presenciais e on-line, tema tecnológico e metodológico sem relação com os pressupostos wallonianos do enunciado.
Gabarito: B
O trecho é clássico de Henri Wallon e mostra uma visão de ser humano em que corpo, emoção e inteligência não andam separados, como se fossem setores isolados de uma empresa. Para Wallon, o desenvolvimento acontece pela integração entre o motor, o afetivo e o cognitivo, e tudo isso vai se organizando na construção da pessoa como um todo. Ou seja, aprender não é só “usar a cabeça”: envolve emoção, movimento, relações e significado. É exatamente por isso que a ideia de educação defendida no texto é a educação integral. Aqui, integral significa formar o estudante em todas as suas dimensões, e não apenas transmitir conteúdo ou treinar habilidades de forma mecânica. A escola, nessa perspectiva, precisa considerar a criança e o jovem de maneira completa, respeitando suas necessidades cognitivas, emocionais, sociais e corporais. Na prática, isso conversa com a tradição da Psicologia do Desenvolvimento e da Educação defendida por Wallon, que valoriza a unidade da pessoa. Em vez de separar “aprender”, “sentir” e “agir”, a proposta é entender que esses aspectos se influenciam o tempo todo. Por isso a banca acertou ao marcar a alternativa B: o texto descreve justamente uma concepção integral de educação, e não continuada, colaborativa, inclusiva ou híbrida. Se você lembrar de Wallon, pense assim: a criança não é só cérebro com mochila. Ela sente, se move, pensa e se relaciona ao mesmo tempo. E a educação, para ser coerente com isso, também precisa olhar para o aluno inteiro.