Cipriano Luckesi é um crítico dos modos de avaliação da aprendizagem, os quais, segundo ele, são “expressões de visões de mundo determinadas”. Analise as assertivas a seguir e, de acordo com a concepção do autor, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para falsa. ( ) As avaliações de aprendizagem devem se guiar por um ideal de neutralidade que garanta rigor e eficácia. ( ) Os processos educacionais têm como finalidade a avaliação, responsável por quantificar seus resultados. ( ) Uma educação que almeja conservar a forma da sociedade utiliza métodos autoritários de avaliação. As afirmativas são, respectivamente,
- A)F – V – F.
Errada, porque a primeira afirmativa é falsa e a terceira é verdadeira, então a sequência não pode ser F - V - F.
- B)F – V – V.
Errada, porque a primeira afirmativa é falsa, mas a terceira é verdadeira, logo a sequência também não fecha.
- C)V – F – F.
Errada, porque a segunda afirmativa não é verdadeira na visão de Luckesi; a avaliação não é a finalidade da educação.
- D)V – V – F.
Errada, porque a primeira afirmativa não é verdadeira, já que Luckesi critica a neutralidade como mito na avaliação.
- E)F – F – V.
Certa, porque a primeira é falsa, a segunda é falsa e a terceira é verdadeira, exatamente como defende Luckesi.
Gabarito: E
Cipriano Luckesi critica a ideia de avaliação como simples medida neutra de desempenho. Para ele, avaliar não é um ato “técnico puro”, porque sempre carrega uma concepção de mundo, de escola e de sociedade. Por isso, quando a prova vira instrumento de controle, seleção e exclusão, ela deixa de ajudar a aprendizagem e passa a servir a uma lógica de classificação. A primeira assertiva está errada porque Luckesi rejeita a noção de neutralidade absoluta na avaliação. Na prática, toda avaliação expressa valores e intenções: pode servir para incluir e orientar, ou para vigiar e punir. Então não faz sentido dizer que o ideal seria uma neutralidade que garantisse rigor e eficácia como se isso fosse suficiente. A segunda também está errada. Na concepção do autor, a finalidade do processo educacional não é a avaliação, mas a aprendizagem e o desenvolvimento do educando. Avaliar é um meio, não o fim. Quando a escola inverte essa lógica, ela passa a tratar o aluno como número, nota ou ranking, e não como sujeito que aprende. A terceira está correta: uma educação voltada para conservar a forma da sociedade tende a usar avaliações autoritárias, centradas em punição, medo e seleção. Isso combina com a crítica clássica de Luckesi à avaliação classificatória. Em vez de diagnosticar para intervir, ela apenas separa os “aptos” dos “não aptos”.