“A atividade de ensino é permeada pela atividade social coletiva e pela atividade de aprendizagem individual. Os processos psicológicos superiores estão enraizados no desenvolvimento social e cultural. O processo de ensino e aprendizagem consiste na apropriação da experiência social humana histórica por meio de uma atividade psicológica interna.” LIBÂNEO, José Carlos. “Antinomias na formação de professores e a busca de integração entre o conhecimento pedagógico-didático e o conhecimento disciplinar”. In: Didática: teoria e pesquisa. Araraquara: Junqueira&Marin/ Ceará: UECE, 2018. No trecho acima, o autor faz referência à teoria da aprendizagem de
- A)Ausubel.
Ausubel trata da aprendizagem significativa, mas o trecho enfatiza mediação social, internalização e desenvolvimento cultural, que são marcas de Vygotsky.
- B)Vygotsky.
Correta, porque a teoria histórico-cultural de Vygotsky explica a aprendizagem como processo social que é internalizado pelo indivíduo.
- C)Skinner.
Skinner é behaviorista e valoriza estímulo, resposta e reforço, não a formação dos processos psicológicos superiores pela cultura.
- D)Watson.
Watson também é behaviorista e foca no comportamento observável, sem a centralidade dada por Vygotsky à interação social e à mediação.
- E)Piaget.
Piaget aborda o desenvolvimento cognitivo por estágios e a construção do conhecimento, mas não formula a ideia de internalização social típica de Vygotsky.
Gabarito: B
A questão está cobrando a teoria histórico-cultural, associada a Vygotsky. O trecho destaca exatamente a ideia de que o aprendizado não nasce isolado dentro da cabeça do aluno, como se fosse um processo puramente individual, mas se constrói primeiro no plano social e cultural, para depois ser internalizado pela pessoa. Essa é a marca de Vygotsky: a relação entre interação social, linguagem, mediação e desenvolvimento das funções psicológicas superiores. Quando Libâneo fala que a atividade de ensino é atravessada pela atividade social coletiva e pela aprendizagem individual, ele está apontando para a lógica vygotskyana de que o ensino organiza mediações para que o aluno se aproprie da experiência humana acumulada historicamente. Em outras palavras: primeiro acontece entre pessoas, depois dentro da pessoa. É quase um "vai e volta" entre o coletivo e o individual. Os processos psicológicos superiores, como pensamento abstrato, memória voluntária e autocontrole, não aparecem prontos. Eles se desenvolvem nas interações sociais, com o apoio da linguagem e da cultura. Por isso o gabarito é a letra B: Vygotsky é o autor que melhor explica essa relação entre ensino, aprendizagem, mediação e internalização. As demais alternativas pertencem a outras tradições: Ausubel fala de aprendizagem significativa, Piaget de desenvolvimento cognitivo por estágios, e Skinner e Watson estão ligados ao behaviorismo, centrado no comportamento observável. Aqui, o foco está no sujeito em interação social, não no simples reforço nem apenas na maturação individual.