“Pelo termo matemática não problematizada, referimo-nos a uma concepção da matemática estabelecida como um corpo de conhecimentos que sempre foi e sempre será da forma que é hoje, ou que evolui linearmente de um estado ‘mais atrasado’ para um estado ‘mais avançado’, por meio da inspiração isolada de ‘gênios com talento inato’. Por matemática problematizada, em contrapartida, entendemos uma concepção de possibilidades matemáticas situadas em diversos contextos e práticas históricas e sociais de produção e de mobilização de saberes e de formas de estar no mundo.” GIRALDO, Victor. Que Matemática para a formação de Professores? Por uma Matemática Problematizada. Anais do XIII ENEM. Brasília: SBEM, 2019. v. 1. p. 1-12. No trecho destacado, o autor estabelece entre a matemática não problematizada e a matemática problematizada uma relação de
- A)complementaridade.
Errada, porque o texto não apresenta as duas concepções como partes que se somam, mas como visões incompatíveis.
- B)dependência.
Errada, porque não há ideia de que uma concepção dependa da outra; o autor contrapõe, em vez de encadear.
- C)proximidade.
Errada, porque o trecho não fala em semelhança ou afinidade, e sim em diferença forte entre duas leituras da Matemática.
- D)hierarquia.
Errada, porque o autor não organiza as concepções em nível superior e inferior, mas em confronto conceitual.
- E)oposição.
Certa, porque a matemática não problematizada e a problematizada são apresentadas como visões opostas sobre a natureza da Matemática.
Gabarito: E
A questão trabalha uma oposição conceitual bem clara. Quando o autor fala em "matemática não problematizada", ele critica a ideia de uma Matemática vista como algo pronto, neutro, linear e quase "natural", como se existisse fora da história e das relações sociais. É aquela imagem de disciplina que teria sempre sido assim e que só avançaria por obra de poucos gênios iluminados. Já a "matemática problematizada" aparece como o contrário disso: a Matemática é entendida como produção humana, situada em contextos históricos, culturais e sociais, com diferentes práticas de uso e significados. Ou seja, não é um bloco eterno e imutável, mas algo que se constrói em diversas formas de vida e em diferentes momentos históricos. Por isso, a relação entre as duas concepções é de oposição. Uma afirma uma visão fixa, universal e linear; a outra questiona exatamente essa visão e propõe uma leitura histórica e contextualizada. O texto não aponta complementação nem dependência, mas sim um contraste direto entre duas formas de compreender a Matemática. Em provas da FGV, é comum que o enunciado traga termos com aparência sofisticada para testar se você percebe o núcleo da ideia. Aqui, o núcleo é simples: uma concepção exclui a outra. Então, o gabarito é a letra E.