O planejamento de sala de aula tem uma característica que lhe confere tremenda importância e complexidade. Diferentemente do planejamento em outras áreas (na arquitetura, por exemplo), na educação, o ‘objeto’ ou o campo sobre o qual incidirá a ação planejada não é passivo. Adaptado de VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e projeto político-pedagógico. São Paulo: Libertad Editora, 2014. O trecho acima versa sobre a especificidade dos processos de planejamento na área educacional. Nesse sentido, conclui-se que o planejamento de aula
- A)deve estabelecer diretrizes rígidas a serem executadas com exatidão.
Errada, porque planejamento pedagógico não deve ser rígido e imutável, já que precisa se adaptar às respostas reais da turma.
- B)depende da capacidade docente de centralizar o desenho a ser seguido.
Errada, porque o foco não é centralizar o desenho em torno do professor, mas mediar a aprendizagem considerando a participação ativa dos alunos.
- C)tem como característica manter-se indefinido e fundar-se na espontaneidade.
Errada, porque planejamento em educação não pode ser puro improviso ou espontaneidade sem direção, pois exige intencionalidade e organização.
- D)é modificado pela forma como os alunos lidam com sua aprendizagem.
Certa, porque o plano de aula precisa ser ajustado conforme os alunos avançam, têm dificuldades ou respondem de modo diferente ao ensino.
- E)objetiva um produto final consistente que prescinda de posteriores revisões.
Errada, porque o planejamento não busca um produto final fechado e definitivo, já que deve ser constantemente revisto à luz da prática.
Gabarito: D
No planejamento de aula, a grande diferença em relação a áreas como a arquitetura é que o “material” com que você lida não é inerte: são pessoas, com histórias, ritmos, interesses e modos diferentes de aprender. Por isso, planejar na educação nunca é montar um roteiro fechado para ser cumprido mecanicamente, como se a turma fosse uma peça de máquina. Em sala, o plano precisa ser flexível e ajustável. Se a turma responde de um jeito, avança mais rápido ou demonstra dificuldades inesperadas, o docente revê estratégias, muda a mediação, retoma conteúdos e reorganiza o caminho. É exatamente essa capacidade de ser refeito a partir da realidade da turma que torna o planejamento pedagógico vivo. É nesse ponto que a alternativa D acerta: o planejamento de aula é modificado pela forma como os alunos lidam com sua aprendizagem. Ou seja, o professor planeja, observa a resposta dos estudantes e, se preciso, replaneja. Isso combina com a visão de Vasconcellos sobre planejamento como processo dinâmico, crítico e aberto ao contexto, não como simples execução de um script. Na prática, planejar bem é preparar o caminho, mas sem achar que o caminho vai acontecer sozinho. Em educação, o plano conversa com a turma o tempo todo. Se os alunos mudam o jogo, o professor também ajusta a estratégia.