Observe o fragmento a seguir: “É também teleológica, porque determina um alvo onde se quer chegar, busca uma direção. Essa direção, dependendo da perspectiva de classe de quem reflete, poderá ser conservadora ou transformadora dos dados da realidade diagnosticados e julgados.” A característica apresentada se refere à reflexão pedagógica presente na abordagem
- A)crítico-emancipatória.
Errada, porque a abordagem crítico-emancipatória não é a referência clássica do fragmento e não é a formulação mais cobrada para essa descrição teleológica e de classe.
- B)cultural.
Errada, porque a perspectiva cultural destaca cultura e significados, mas não corresponde ao trecho que fala em direção histórica e possibilidade de transformação social.
- C)classicista desenvolvimental.
Errada, porque classicista desenvolvimental não é a denominação da corrente pedagógica associada a essa formulação crítica e socialmente orientada.
- D)crítico-superadora.
Certa, porque a pedagogia crítico-superadora entende a reflexão pedagógica como histórica, política e teleológica, orientada por um projeto que pode conservar ou transformar a realidade.
Gabarito: D
A questão descreve uma reflexão pedagógica que não fica só no diagnóstico da realidade: ela também aponta para um rumo, um projeto de sociedade. Quando o texto diz que a direção pode ser conservadora ou transformadora, ele está falando de uma visão marcada pela disputa de projetos de classe, algo bem típico da abordagem crítico-superadora. Na pedagogia crítico-superadora, o ensino não é neutro. Ele parte da realidade concreta do aluno, analisa essa realidade e, a partir daí, busca superá-la com consciência crítica. Em outras palavras: não basta observar o mundo, é preciso entender as contradições dele e decidir para onde a prática educativa vai empurrar essa realidade. O nome já entrega a pista: criticar para superar. Por isso o gabarito é a letra D. Essa abordagem, associada ao Coletivo de Autores e muito cobrada em concursos, defende uma reflexão pedagógica histórica, social e política, voltada à transformação da prática e da sociedade. É uma leitura bem alinhada com a tradição crítica da educação brasileira, em oposição a propostas mais neutras ou apenas descritivas. A palavra-chave da questão é teleológica: existe finalidade, existe alvo. E, na abordagem crítico-superadora, esse alvo não é qualquer um, mas um projeto pedagógico consciente, que pode romper com a manutenção das desigualdades. Ou seja, a pedagogia aqui não passeia pela sala de aula, ela entra na arena das ideias.