Em um projeto de educação bilíngue e intercultural, as políticas linguísticas devem I. ganhar sustentabilidade nos projetos voltados para as línguas maternas e mobilidades culturais. II. englobar os estudos sociolinguísticos que fornecem dados fundamentais das comunidades e das práticas pedagógicas. III. integrar os pilares das atividades indigenistas que assimilaram a colonialidade do saber. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Esta opção toma apenas a afirmativa I, que fala em dar sustentabilidade a projetos voltados às línguas maternas e às mobilidades culturais. O enunciado toca um ponto coerente com a educação bilíngue e intercultural, porque essa política precisa apoiar a manutenção das línguas próprias e a circulação entre repertórios culturais. Contudo, o planejamento também depende do diagnóstico sociolinguístico das comunidades, trazido pela afirmativa II, de modo que a alternativa fica incompleta.
- B)II, apenas.
Esta opção privilegia a afirmativa II, segundo a qual a política linguística deve incorporar estudos sociolinguísticos para orientar a compreensão das comunidades e das práticas pedagógicas. Isso está correto porque uma educação bilíngue eficaz exige saber quais línguas circulam, em que contextos e com quais funções, servindo de base para currículo e metodologia. O problema é que a proposta também inclui a sustentação de projetos para línguas maternas e mobilidades culturais, ponto da afirmativa I, que não pode ser ignorado.
- C)III, apenas.
Esta opção adota a afirmativa III, que fala em integrar pilares de atividades indigenistas que teriam assimilado a colonialidade do saber. O enunciado é incompatível com a educação bilíngue e intercultural, porque essa modalidade busca justamente valorizar saberes indígenas e enfrentar hierarquias coloniais de conhecimento, e não incorporá-las como fundamento. Por isso, a ideia central da III contraria a lógica pedagógica e normativa do tema.
- D)I e II, apenas.
Esta é a combinação correta porque reúne as afirmativas I e II. A I é pertinente ao defender sustentabilidade para projetos voltados às línguas maternas e às mobilidades culturais, e a II acerta ao exigir base sociolinguística para compreender a comunidade e orientar as práticas pedagógicas; isso está em linha com a LDB, especialmente os arts. 78 e 79, que tratam da educação escolar indígena bilíngue e intercultural. A III fica de fora porque a colonialidade do saber não é um pilar a ser assimilado, mas um problema a ser superado.
- E)I, II e III.
Esta opção reúne I, II e III, mas o acréscimo da III desnatura o conjunto. As duas primeiras afirmativas dialogam com a proteção das línguas maternas e com o uso de estudos sociolinguísticos para planejar a ação pedagógica, enquanto a terceira introduz a assimilação da colonialidade do saber, o que colide com a perspectiva intercultural e de valorização dos conhecimentos próprios. Assim, a alternativa inclui uma ideia conceitualmente incompatível com o tema.
Gabarito: D
Em projetos de educacao biligue e intercultural, a politica linguistica nao pode ser improvisada: ela precisa considerar a lingua materna, a cultura da comunidade e a forma como as pessoas realmente usam a linguagem no dia a dia. Por isso, a ideia de dar sustentabilidade aos projetos voltados para as linguas maternas e para as mobilidades culturais faz sentido. Tambem faz sentido incluir estudos sociolinguisticos, porque eles mostram como a comunidade fala, aprende e circula entre idiomas, o que ajuda a montar praticas pedagogicas mais coerentes. Esse tema conversa bem com a educacao escolar indigena prevista na Constituicao e na LDB, especialmente quando se fala em respeito aos processos proprios de aprendizagem, ao uso da lingua materna e a valorizacao dos conhecimentos da comunidade. Em outras palavras: nao basta colocar duas linguas na fachada da escola e achar que virou biligue. Precisa haver planejamento serio, com base na realidade linguistica local. A afirmacao III esta errada porque nao faz sentido falar em integrar os pilares de atividades indigenistas que assimilaram a colonialidade do saber. O enfoque atual da educacao biligue e intercultural vai na direcao oposta: ele busca valorizar saberes, linguas e identidades, e nao reproduzir a logica colonial de apagamento cultural. Assim, estao corretas as afirmacoes I e II, apenas. E isso justifica o gabarito D.