As abordagens críticas influenciaram o Documento Curricular para o Estado de Tocantins – Ensino Médio/Educação Física – quanto aos seus objetivos e procedimentos. Assinale a opção que apresenta um exemplo dessa influência.
- A)Aprimorar as condutas motoras quanto ao esporte de rendimento.
Errada, porque prioriza o rendimento esportivo e a técnica, que são marcas mais tradicionais e não críticas.
- B)Analisar preconceitos, estereótipos e relações de poder presentes nas práticas corporais.
Certa, porque traz reflexão sobre preconceitos, estereótipos e poder, exatamente a marca das abordagens críticas.
- C)Desenvolver as aptidões físicas para a saúde e a manutenção corporal.
Errada, porque foca em aptidão física e saúde em perspectiva mais biológica e funcional, não em análise crítica.
- D)Evoluir das habilidades motoras rudimentares para as habilidades especializadas.
Errada, porque fala em desenvolvimento motor por etapas, ideia típica de abordagem desenvolvimentista, não crítica.
- E)Transitar da dimensão afetiva para a dimensão cognitiva do movimento.
Errada, porque trabalha dimensões do movimento em chave psicomotora/educacional, sem o foco sociopolítico das abordagens críticas.
Gabarito: B
As abordagens críticas na Educação Física escolar mudam o foco: sai a ideia de só treinar corpo, técnica e rendimento, e entra a leitura social da cultura corporal. Em vez de perguntar apenas "quem salta mais alto?", a proposta crítica pergunta também "quem participa, quem é excluído e quais valores estão por trás dessa prática?". No Ensino Médio, isso aparece com força em documentos curriculares que dialogam com uma visão mais reflexiva e contextualizada do componente. Na prática, isso significa trabalhar esportes, danças, lutas, jogos e ginásticas não só como execução motora, mas como fenômenos culturais. Você discute regras, mídia, gênero, raça, classe, padrões de beleza, consumo e até relações de poder presentes nessas práticas. É a Educação Física saindo do modo "faz e pronto" para o modo "faz, pensa e questiona". Por isso, o item B está correto: analisar preconceitos, estereótipos e relações de poder presentes nas práticas corporais é exatamente um exemplo de influência das abordagens críticas. Esse olhar é coerente com a tradição crítica da área, muito associada à leitura sociocultural da educação e à superação de uma visão meramente biologizante ou tecnicista do ensino. Em termos legais e curriculares, essa orientação conversa com a LDB e com a BNCC, que valorizam uma formação integral e contextualizada, além de documentos curriculares estaduais que costumam traduzir isso para a realidade local. No fundo, a mensagem é simples: corpo também pensa, e a aula não precisa fingir que isso não acontece.