“A Educação de Adultos é reconhecida pela Unesco como direito humano, estando ela implícita no direito à educação, reconhecido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, a começar pelo primeiro nível que é o da alfabetização. De fato, a alfabetização é a base para a aprendizagem ao longo da vida. Nenhuma educação é possível sem a habilidade da leitura e da escrita.” (GADOTTI, Moacir. Educação de adultos como direito humano. São Paulo: Instituto Paulo Freire, 2009) A concepção humanista em relação à educação de adultos (EA) está corretamente identificada na seguinte alternativa:
- A)a EA deve manter os docentes competitivos para o mercado de trabalho ao longo da vida, conforme o princípio da meritocracia;
Errada, porque reduz a educação de adultos à lógica da competitividade e da meritocracia, que é mais economicista do que humanista.
- B)a EA é um gasto do Estado para o qual não há retorno econômico, e resulta em maiores níveis de felicidade da população;
Errada, porque trata a educação como despesa sem retorno e ainda associa isso apenas à felicidade, fugindo da dimensão formativa e cidadã.
- C)a EA deve ser monopólio do Estado, o qual tem por missão fornecer as condições físicas e humanas para sua plena realização;
Errada, porque a educação de adultos não é monopólio estatal; ela pode e deve envolver diferentes atores sociais, sem excluir a responsabilidade pública.
- D)a EA é voltada para um público capaz de gerir seu aprendizado conforme os próprios interesses, como clientes-consumidores;
Errada, porque vê o educando como cliente-consumidor, o que desloca a educação do campo do direito humano para a lógica de mercado.
- E)a EA deve promover a segurança humana, aumentando condições de empregabilidade e participação sociopolítica dos educandos.
Certa, porque une segurança humana, empregabilidade e participação sociopolítica, exatamente na linha humanista da educação de adultos.
Gabarito: E
A educação de adultos, na visão humanista, não é tratada como simples adestramento para o mercado nem como favor do Estado, mas como direito humano e caminho de emancipação. A ideia central, muito ligada a Paulo Freire e também ao discurso da Unesco, é que aprender na vida adulta amplia a autonomia, a leitura do mundo e a participação cidadã. Por isso, a educação de adultos não se resume a ensinar a ler, escrever e contar. Ela precisa fortalecer a dignidade da pessoa, sua capacidade de interpretar a realidade e de agir sobre ela. Em outras palavras: não basta colocar o adulto na sala de aula, é preciso permitir que ele se reconheça como sujeito de direitos. A alternativa correta é a letra E porque relaciona a educação de adultos à segurança humana, à empregabilidade e à participação sociopolítica. Isso conversa com a concepção humanista, que entende a educação como instrumento de desenvolvimento integral, inclusão social e exercício da cidadania. A empregabilidade aparece como meio de autonomia, e não como finalidade única e exclusiva. Esse entendimento é compatível com a perspectiva da Unesco e com a educação como direito previsto na Constituição Federal de 1988 e na LDB, especialmente no que toca ao direito à educação ao longo da vida e à modalidade EJA. Então, aqui a chave é perceber que a educação de adultos deve formar pessoas mais livres, mais participativas e mais capazes de transformar sua realidade.