O conceito de transversalidade tem sido contemplado nas propostas curriculares das duas últimas décadas, com destaque para as orientações curriculares emanadas das instâncias incumbidas de formular políticas públicas para a educação no Brasil. Os “Parâmetros Curriculares Nacionais” integram o conjunto de documentos que expressam isso. As opções a seguir estão de acordo com a concepção de transversalidade defendida nos PCN, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)A transversalidade não constitui uma nova área de conhecimento.
Certa, porque a transversalidade nos PCN não cria uma nova área de conhecimento, mas organiza temas que perpassam as disciplinas.
- B)A transversalidade é um desdobramento da interdisciplinaridade.
Errada, porque a transversalidade não é apresentada pelos PCN como desdobramento da interdisciplinaridade, e sim como uma forma própria de tratar temas sociais e educacionais no currículo.
- C)A transversalidade pressupõe um tratamento integrado das áreas.
Certa, pois a transversalidade pressupõe integração entre áreas e conteúdos para dar sentido aos temas abordados.
- D)A transversalidade é uma forma de tratar os conteúdos na dimensão da prática didática.
Certa, porque ela é uma maneira de trabalhar conteúdos na prática didática, conectando escola e realidade social.
- E)A transversalidade pressupõe um compromisso das relações interpessoais e sociais escolares com as questões que estão envolvidas nos temas.
Certa, já que os temas transversais envolvem valores, convivência e relações interpessoais e sociais no espaço escolar.
Gabarito: B
Nos PCN, a transversalidade aparece como uma forma de organizar o ensino em torno de temas que atravessam as disciplinas, e não como mais uma matéria para a grade. A ideia é ligar os conteúdos escolares a problemas reais da vida social, como ética, meio ambiente, pluralidade cultural, saúde e orientação sexual, para que o aluno perceba sentido no que aprende. Isso significa que a transversalidade não cria uma nova área de conhecimento. Ela funciona como um jeito de tratar certos temas no dia a dia pedagógico, articulando os conteúdos das disciplinas e as relações vividas na escola. Em outras palavras: o conteúdo continua existindo, mas ganha conversa com a realidade - e a aula fica menos “caixinha” e mais “ponte”. Nos PCN, a transversalidade também pede um compromisso das relações escolares com esses temas, porque eles não entram só no papel, entram na prática, no convívio, nas atitudes e nas decisões pedagógicas. Por isso, ela se liga ao tratamento integrado dos conteúdos e à dimensão da prática didática. O gabarito é a letra B porque a transversalidade não é um desdobramento da interdisciplinaridade. Nos PCN, a relação é quase inversa: a transversalidade é um modo de abordar temas sociais relevantes atravessando as disciplinas, enquanto a interdisciplinaridade diz respeito à articulação entre diferentes áreas do conhecimento. São ideias próximas, mas não equivalentes nem hierarquizadas dessa forma.