Uma escola disponibiliza jogos de estratégia para dinamizar as competências cognitivas dos alunos. Pedro enfrenta um adversário computacional. Ao longo das partidas, ele descobre a repetição algorítmica do adversário, organiza alguns arranjos cognitivos eficazes e ganha. Na sequência, testa um nível mais difícil do jogo, no qual a complexidade do adversário aumenta. Nessa nova situação, os recursos estratégicos desenvolvidos no nível anterior deixam de funcionar. Para seguir no jogo, ele precisa recompor seus arranjos cognitivos e superar a nova situação. A concepção de aprendizagem ilustrada no texto acima é:
- A)construtivista, pois a aprendizagem é impulsionada por situações de desequilíbrio;
Correta, porque descreve a aprendizagem como resultado de desequilíbrio cognitivo e reorganização de esquemas, ideia central do construtivismo piagetiano.
- B)interacionista, pois a aprendizagem é mediada pela relação com pares;
Errada, porque a mediação por pares não é o foco principal do enunciado, que destaca conflito cognitivo e reorganização interna.
- C)inatista, pois a aprendizagem é baseada em estruturas cognitivas universalmente dadas;
Errada, pois não há defesa de estruturas prontas e universalmente dadas, mas sim de construção e reconstrução do conhecimento.
- D)behaviorista, pois a aprendizagem é conduzida por dinâmicas simples de punição e recompensa;
Errada, porque o texto não trata de estímulo-resposta, punição ou recompensa, elementos típicos do behaviorismo.
- E)humanista, pois a aprendizagem é focada no desenvolvimento de habilidades humanas.
Errada, pois a ênfase não está em autorrealização ou desenvolvimento afetivo, mas na reorganização cognitiva diante do problema.
Gabarito: A
A questão descreve bem a ideia de aprendizagem na perspectiva construtivista, especialmente em chave piagetiana. Repare no movimento: Pedro encontra um desafio, organiza estratégias que funcionam, depois o jogo muda, essas estratégias já não dão conta e ele precisa reorganizar o modo de pensar. Isso é o famoso ciclo de desequilíbrio, assimilação, acomodação e novo equilíbrio. Em outras palavras, a aprendizagem não é só repetir o que deu certo antes, mas reconstruir os esquemas mentais quando a realidade aperta o botão de “modo difícil”. Na teoria de Piaget, o sujeito aprende ao interagir com o objeto de conhecimento, enfrentando conflitos cognitivos que exigem reorganização interna. Quando a situação nova não cabe no esquema anterior, ocorre o desequilíbrio e o aluno precisa acomodar, isto é, ajustar seus arranjos cognitivos. Por isso o texto aponta para a aprendizagem impulsionada por situações de desequilíbrio. A FGV costuma cobrar esse ponto com linguagem de resolução de problemas, adaptação a desafios e reorganização mental. Então, quando aparecer um enredo em que a criança ou o aluno testa hipóteses, erra, ajusta estratégias e volta a tentar, acenda o alerta: isso costuma remeter ao construtivismo piagetiano. Logo, o gabarito é a alternativa A, porque o texto ilustra exatamente a aprendizagem como processo ativo de reconstrução diante de novas situações.