Quando se adota uma visão geral sobre a obra de Anísio Teixeira e sua trajetória profissional, é comum se reconhecer ter ele deixado marcas não apenas como pensador e político da educação, mas também como administrador. Tendo ele vivenciado os múltiplos problemas levantados pela realidade do ensino e da administração pública, além de produzir reflexões, definir posições, propor e construir modelos para a organização do sistema educacional brasileiro dos anos 1920 aos 1960, é relativamente fácil distinguir a permanente atualidade dos grandes temas com os quais Anísio se empenhou. Tais propostas estão presentes no livro “Educação não é privilégio”, defendidas como pressupostos de democracia. Assinale a afirmativa que resume, de forma mais completa, as principais defesas de Anísio Teixeira.
- A)Luta pela escola pública.
Está incompleta, porque Anísio defendeu muito mais do que apenas a escola pública, incluindo a educação como direito universal.
- B)Luta pela liberdade curricular.
Está errada, porque a liberdade curricular não resume o núcleo das ideias de Anísio Teixeira sobre democracia e direito à educação.
- C)Luta pela educação como um direito de todos e pela defesa da escola pública.
Está correta, pois sintetiza as duas defesas centrais de Anísio: educação como direito de todos e fortalecimento da escola pública.
- D)Luta pela educação como meio de informação transformador de culturas.
Está errada, porque a formulação é vaga e não expressa a tese principal do autor sobre escola pública e direito educacional.
- E)Luta pela garantia de salários dignos aos professores.
Está errada, porque valorização docente é importante, mas não resume as principais defesas de Anísio Teixeira nesta obra.
Gabarito: C
Anísio Teixeira foi um dos grandes nomes da educação brasileira porque pensou a escola como instrumento de democracia, e não como um privilégio de poucos. Quando ele escreve em "Educação não é privilégio", a ideia central é justamente essa: educação deve ser direito de todos, com acesso garantido pelo poder público, em uma escola pública forte, gratuita, laica e de qualidade. Essa visão dialoga com a concepção de educação como direito social e com o dever do Estado de oferecê-la, como depois ficou expresso na Constituição Federal de 1988, especialmente no art. 205. Na prática, Anísio defendia uma escola pública capaz de atender a população inteira, sem separar os "eleitos" dos demais. Para ele, democracia de verdade exige oportunidade educacional ampla, porque sem escola para todos a sociedade continua desigual. Então, não basta falar genericamente em escola pública: o ponto principal é a educação como direito universal, e a escola pública como meio para concretizar esse direito. Por isso, a alternativa C é a mais completa. Ela reúne as duas ideias centrais do pensamento anisiano no tema: educação como direito de todos e defesa da escola pública. As outras opções trazem recortes parciais ou temas importantes, mas que não resumem de forma tão abrangente a proposta do autor.