As tendências pedagógicas brasileiras, considerando-se a realidade política e cultural dos diversos períodos históricos, podem ser sistematizadas em dois grandes grupos denominados pedagogia liberal e pedagogia progressista. Cada um desses dois grupos, por sua vez, se subdivide em outras categorias de tendências pedagógicas. Em determinada tendência pedagógica, o aluno deve ser formado para ser um cidadão solidário, crítico, ético e participativo. Nesse sentido, assinale a opção que indica a tendência pedagógica em que a educação é entendida como um verdadeiro ato político, em uma busca permanente em favor das classes oprimidas
- A)Renovada progressivista, preconizada por Montessori, Dewey e Piaget.
Errada, porque a renovada progressivista foca a aprendizagem ativa e os interesses do aluno, mas não tem como marca central a luta política em favor dos oprimidos.
- B)Tradicional, preconizada pelas escolas humanísticas clássicas.
Errada, porque a tendência tradicional prioriza transmissão de conteúdos, disciplina e centralidade do professor, não formação crítica e participativa.
- C)Tecnicista, preconizada por Skinner.
Errada, porque a tecnicista valoriza eficiência, treinamento e objetivos comportamentais, com pouca ênfase em consciência social e criticidade.
- D)Libertadora, preconizada por Paulo Freire.
Certa, porque a pedagogia libertadora de Paulo Freire entende a educação como ato político, voltado à conscientização e à transformação social das classes oprimidas.
- E)Renovada não diretiva, preconizada por Anísio Teixeira.
Errada, porque a renovada não diretiva enfatiza liberdade de expressão e desenvolvimento pessoal, mas não é a tendência associada à educação como prática política de libertação.
Gabarito: D
As tendências pedagógicas brasileiras costumam ser agrupadas em dois blocos: pedagógicas liberais e progressistas. As liberais, em linhas gerais, tendem a se adaptar mais à ordem social existente; já as progressistas procuram usar a educação como instrumento de transformação social, com olhar crítico para a realidade. É aí que mora a chave da questão: quando a escola é vista como espaço de conscientização, participação e compromisso com os grupos oprimidos, você está diante da pedagogia progressista libertadora. Nessa tendência, o aluno não é um recipiente de conteúdos. Ele participa, dialoga, problematiza a realidade e aprende a ler o mundo para poder transformá-lo. O objetivo não é só transmitir informação, mas formar um sujeito solidário, crítico, ético e participativo, exatamente como o enunciado descreve. Em termos doutrinários, essa leitura é clássica em autores como Paulo Freire, que trata a educação como prática da liberdade e ato político. Por isso o gabarito é a letra D. A pedagogia libertadora entende que ensinar nunca é um ato neutro: toda educação envolve escolhas, valores e posição diante do mundo. Em vez de ajustar o aluno passivamente ao sistema, ela busca emancipação, conscientização e engajamento social, especialmente em favor das classes oprimidas. Na prática de prova, sempre que aparecer linguagem como diálogo, consciência crítica, emancipação, problematização da realidade e transformação social, pense em Paulo Freire e na pedagogia libertadora. A FGV gosta bastante desse contraste entre uma escola que reproduz a ordem e outra que questiona a ordem.