Segundo Dainez, Smolka e Souza (2022, p.2), “Após um longo período de ditadura cívico-militar (1964-1985), na luta por um Estado democrático, destaca-se a efetiva participação do movimento das pessoas com deficiência na elaboração e no lançamento da Constituição Cidadã de 1988 (BRASIL, 1988). Na Constituinte, em meio a muitos embates, uma conquista importante foi a mudança do modelo assistencialista para o paradigma dos direitos humanos. Ou seja, de um modelo sedimentado em estratégias caritativas, que objetivavam suprir as necessidades, reiterando a dependência e a tutela, para uma perspectiva de política pública em que as pessoas com deficiência passassem a ser concebidas como sujeitos de direitos”. (SIEMS-MARCONDES; CAIADO, 2013). As opções apresentam princípios para as políticas e as práticas de educação inclusiva atuais, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Educação é um direito de todos.
Correta, porque a educação é direito de todos, conforme a Constituição Federal de 1988.
- B)Todas as pessoas são capazes de aprender.
Correta, pois a perspectiva inclusiva reconhece a possibilidade de aprendizagem em todos os sujeitos, ainda que em ritmos e condições diferentes.
- C)A educação inclusiva deve ocorrer somente no espaço escolar.
Errada, porque a educação inclusiva não se limita ao espaço escolar e envolve direitos, práticas pedagógicas e acessibilidade mais amplos.
- D)A aprendizagem se dá por processos que variam de pessoa para pessoa.
Correta, porque a aprendizagem ocorre de modos e tempos diferentes entre as pessoas.
- E)É importante a convivência entre todos os alunos nas escolas.
Correta, pois a convivência entre estudantes é um princípio importante da educação inclusiva.
Gabarito: C
A educação inclusiva parte da ideia de que a escola deve acolher todos os estudantes, sem separar ninguém por deficiência, condição social, origem ou qualquer outra diferença. Essa visão conversa com a Constituição Federal de 1988, que consagra a educação como direito de todos e aponta para a igualdade de acesso e permanência na escola, além da Lei de Diretrizes e Bases e da Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva. Na prática, não basta só matricular: é preciso garantir participação, aprendizagem e convivência real entre os estudantes. Por isso, a educação inclusiva não pode ser reduzida ao espaço escolar, como se a inclusão acontecesse apenas dentro dos muros da escola. Ela envolve também atitudes, currículo, acessibilidade, formação docente, apoio especializado e relações pedagógicas que respeitem ritmos e modos diferentes de aprender. Inclusão é escola, sim, mas não só prédio, carteira e lousa. O gabarito é a letra C porque ela traz uma afirmação restritiva demais. A educação inclusiva não deve ocorrer somente no espaço escolar, pois seus princípios orientam a organização da escola e também a forma como a sociedade entende a participação das pessoas com deficiência. O objetivo é garantir direito, pertencimento e aprendizagem para todos, e não limitar a inclusão a um único ambiente. As demais alternativas estão alinhadas com essa lógica: todas as pessoas podem aprender, a aprendizagem varia de pessoa para pessoa e a convivência entre alunos é parte importante do processo educativo. Em resumo: inclusão é direito, participação e diversidade em ação.