“Como pessoa com deficiência, me senti envergonhado de ter uma assistente na classe e, por mais que ela ajudasse, eu não a queria presente. Essa é uma sensação comum entre outros estudantes com deficiência com quem conversei. Como se vê, é possível ter uma escola “inclusiva” que, ainda assim, isola os alunos, como resultado do excesso de apoio. Se é esperado que um adulto vá ajudar, é pouco provável que os colegas intervenham. Enfim, incluir não significa viver e trabalhar juntos? Parte disso implica em ensiná-los como ajudar”. Adaptado de HOEKSTRA, N. “O equilíbrio entre apoio, autonomia e afastamento na educação inclusiva” in https://diversa.org.br/ Com base no depoimento sobre desafios da inclusão da pessoa com deficiência, analise as propostas a seguir. I. Para incluir os educandos com deficiência, a escola poderia indicar um assistente de educação especial que interagisse com todos os alunos, de modo que as experiências de diversidade fossem compartilhadas. II. Para promover uma educação inclusiva, os docentes poderiam incentivar os colegas dos alunos com deficiência a se tornar mediadores nas atividades de apoio e, assim, promover uma maior interação. III. Para acolher de forma inclusiva o aluno com deficiência, o professor poderia avaliar com ele estratégias eficientes de apoio que facilitassem a aprendizagem em seu cotidiano escolar. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A opção diz que somente a afirmativa I estaria correta, defendendo a presença de um assistente de educação especial que atue com a turma toda e favoreça a circulação das experiências de diversidade. Essa medida é compatível com a educação inclusiva, porque o apoio não deve isolar o estudante com deficiência, mas ampliar sua participação e a convivência com os colegas, em harmonia com a Constituição, a LDB e a LBI. O erro está em desconsiderar que as propostas da II e da III também seguem essa mesma lógica inclusiva, de modo que o conjunto correto não se limita à I.
- B)I e II, apenas.
A alternativa sustenta que estão corretas as afirmativas I e II, ou seja, tanto a atuação do assistente com toda a classe quanto a mediação dos colegas nas atividades de apoio. Esse raciocínio é sólido, porque reduz o risco de superproteção e estimula interação, pertencimento e aprendizagem cooperativa, valores centrais da educação inclusiva. O equívoco é excluir a III, já que discutir com o próprio aluno estratégias eficientes de apoio também é uma prática adequada de acessibilidade pedagógica e de personalização do ensino.
- C)II e III, apenas.
Aqui se afirma que apenas as propostas de mediação pelos colegas e de construção conjunta de estratégias de apoio com o aluno estariam corretas. Essas duas ideias realmente concretizam a inclusão, porque favorecem participação, autonomia e apoio ajustado às necessidades do estudante com deficiência. A falha está em deixar de fora a I, que também é compatível com a lógica inclusiva quando o assistente atua de forma integrada à turma, sem transformar o aluno em alguém separado do restante da classe.
- D)I e III, apenas.
A opção reúne a atuação do assistente na classe toda e a avaliação, com o aluno, de estratégias de apoio para facilitar a aprendizagem cotidiana. As duas medidas fazem sentido no paradigma inclusivo, porque combinam suporte coletivo com atenção individualizada, evitando tanto o isolamento quanto a ausência de adaptações. O problema é afastar a II, pois a mediação dos colegas também é um recurso pedagógico relevante para ampliar interação social e diminuir a dependência exclusiva do adulto.
- E)I, II e III.
Esta é a alternativa correta porque as três afirmativas descrevem práticas coerentes com a educação inclusiva. A I evita que o apoio fique restrito a uma relação isolada, a II estimula a participação dos colegas como mediadores e a III valoriza a escuta do estudante para definir apoios mais eficazes, tudo em consonância com a Constituição, a LDB e a Lei Brasileira de Inclusão. Assim, o conjunto inteiro responde ao desafio apresentado no texto: incluir não é apenas colocar o aluno na sala, mas garantir convivência, autonomia e aprendizagem.
Gabarito: E
A questão trata de inclusão escolar com cuidado para não transformar apoio em isolamento. A lógica da educação inclusiva não é colocar um adulto ao lado do aluno com deficiência o tempo todo e pronto, como se isso resolvesse tudo. A escola precisa organizar apoios, sim, mas de forma a favorecer autonomia, participação e convivência com os colegas. Pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), a pessoa com deficiência tem direito à educação em sistema inclusivo, com acesso, permanência, participação e aprendizagem, e com oferta de apoios necessários, sem afastá-la da vida da turma. Isso conversa diretamente com a ideia do enunciado: excesso de ajuda pode acabar isolando em vez de incluir. A afirmativa I está correta porque um assistente de educação especial pode atuar de modo a favorecer a interação de todos, e não apenas ficar “colado” em um único estudante. A presença do apoio precisa ser pedagógica e socialmente integradora, para que a diversidade circule pela classe, e não vire um compartimento separado. A II também está correta, porque incentivar colegas a participar como mediadores amplia as interações, promove cooperação e tira a inclusão da lógica do “adulto salvador”. Já a III está certa porque o apoio inclusivo deve ser construído com o estudante, ajustando estratégias ao cotidiano escolar e respeitando sua autonomia. Em resumo: inclusão boa não é a que faz tudo pelo aluno, é a que o faz participar de verdade.