“A questão do planejamento é desafiadora, pois projetar é para o humano, e não poucas vezes estamos diminuídos em nossa humanidade, estamos desanimados, descrentes, cansados. Também no meio educacional – entre professores, membros de equipes de coordenação, direção, mantenedores, pais, funcionários, alunos –, estão presentes forças de vida e forças de morte. Chegamos a nos sentir com ausência de desejo: quem quer a escola? Quem acredita na escola como caminho de construção de uma sociedade mais justa? Escola para quê? Simplesmente como meio de subsistência? (…) O que dá vida a uma escola? Seria o planejamento? Não podemos ter esta ilusão. São as pessoas, os sujeitos que historicamente assumem a construção de uma prática transformadora.” (VASCONCELLOS, C. S. Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e projeto político-pedagógico. São Paulo: Libertad Editora, 2014) Com base no trecho acima, o desafio para o engajamento de professores no processo de planejamento é que:
- A)o condicionamento da atividade de planejamento pelos membros da direção é dificultado pelo comodismo dos professores;
Errada, porque o texto não fala em imposição da direção nem em comodismo docente como foco central do problema.
- B)os educadores devem ser capazes de superar a descrença no papel transformador da escola para se engajarem no planejamento;
Certa, porque o trecho destaca justamente a necessidade de vencer a descrença no potencial transformador da escola para haver engajamento no planejamento.
- C)as forças de vida e de morte são obstáculos ao engajamento eficaz dos professores no processo de planejamento;
Errada, porque "forças de vida e de morte" aparecem como elementos do contexto escolar, mas não como a tese principal da alternativa.
- D)os professores devem refrear os desejos utópicos para serem capazes de produzir e realizar um planejamento eficaz;
Errada, porque o texto valoriza o desejo de transformação e não pede para refrear aspirações utópicas.
- E)o processo de planejamento cria dificuldades para a escola em sua missão de construir uma sociedade mais justa e humana.
Errada, porque o trecho não diz que o planejamento atrapalha a missão da escola; ao contrário, ele pode servir a essa missão quando assumido pelos sujeitos.
Gabarito: B
O trecho de Vasconcellos traz uma ideia central muito comum em Pedagogia: planejar não é só preencher formulário ou cumprir tabela. Planejamento, na escola, depende de sujeitos reais, com desejo, crença, energia e compromisso com a transformação da prática. Por isso, ele não nasce de um roteiro frio, mas da disposição humana de construir algo melhor coletivamente. O autor destaca que, no ambiente educacional, podem existir "forças de vida" e "forças de morte", isto é, atitudes que impulsionam ou bloqueiam a ação pedagógica. Quando a escola perde sentido para quem a vive, o planejamento vira rotina vazia. Quando há esperança no poder educativo da escola, o planejamento ganha sentido e direção. É exatamente aí que entra o gabarito B: o desafio para o engajamento dos professores é superar a descrença no papel transformador da escola. Sem essa crença, o planejamento tende a virar mera burocracia; com ela, passa a ser um instrumento de ação consciente, coletiva e transformadora. Em termos didáticos, a banca quer que você perceba que planejamento pedagógico não é causa de mudança por si só. Ele é ferramenta, não milagre. Quem dá vida ao planejamento são os sujeitos que acreditam na escola como espaço de formação humana e de construção de uma sociedade mais justa.