O teórico norte-americano Henry Giroux é conhecido pela sua abordagem crítica do modelo curricular tradicional. A principal crítica de Giroux a esse modelo é que ele:
- A)pensa a educação de uma forma engessada que deixa pouco espaço para o lúdico;
Errada, porque a crítica de Giroux não é ao excesso de lúdico, mas à falsa neutralidade e ao caráter ideológico do currículo tradicional.
- B)transmite conhecimentos teóricos desvinculados das exigênc;ias do mercado de trabalho
Errada, porque isso fala de adequação ao mercado de trabalho, e não da crítica central de Giroux ao currículo como instrumento ideologicamente marcado.
- C)concentra-se em uma aprendizagem repetitiva e sem caráter significativo para o aluno;
Errada, porque a aprendizagem repetitiva e mecânica lembra mais críticas gerais ao ensino tradicional, mas nao é o ponto mais característico de Giroux.
- D)baseia-se em uma ideia de neutralidade que mascara seus pressupostos ideológicos;
Certa, porque Giroux critica a ideia de neutralidade do currículo tradicional, mostrando que ela esconde pressupostos ideológicos e relações de poder.
- E)organiza os conteúdos desconsiderando as idades apropriadas para o seu aprendizado.
Errada, porque organizar conteúdos por faixa etária é uma preocupação didática, não a crítica principal de Giroux ao modelo curricular tradicional.
Gabarito: D
Henry Giroux é um dos nomes centrais da pedagogia crítica. Para ele, o currículo nao é um conjunto neutro de conteúdos montado apenas para “passar matéria”. Ele envolve poder, cultura, valores e interesses, isto é, sempre há uma visão de mundo por trás do que a escola escolhe ensinar e do que deixa de lado. Por isso, Giroux critica o modelo curricular tradicional quando ele se apresenta como se fosse objetivo, técnico e imparcial. A ideia central da crítica é simples: dizer que um currículo é neutro costuma esconder que ele favorece certos grupos, certas culturas e certas formas de pensar. Em vez de convidar o aluno a questionar e interpretar o mundo, esse modelo tende a transmitir conteúdos como se fossem verdades prontas, sem debate. Aí mora o problema: a escola pode acabar reproduzindo desigualdades em vez de combatê-las. É exatamente por isso que o gabarito é a letra D. Quando a alternativa diz que o currículo “baseia-se em uma ideia de neutralidade que mascara seus pressupostos ideológicos”, ela resume bem a crítica de Giroux: o currículo tradicional finge ser neutro, mas carrega ideologia e relações de dominação. Em linguagem de concurso, é a típica “cara de neutralidade, coração ideológico”. Se voce quiser amarrar com a doutrina, Giroux dialoga com a pedagogia crítica e com autores como Paulo Freire, que também rejeitam a educação bancária e a falsa neutralidade do ensino. A escola, nessa visão, deve formar sujeitos críticos, não apenas repetir conteúdos.