Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) tematizam desafios, funções e atribuições da escola e do ensino. Com base nos PCNs, uma função da escola corretamente caracterizada é:
- A)assumir as funções educativas antes atribuídas à família, reforçando o espaço escolar como ambiente de conhecimento total;
Errada, porque os PCNs não atribuem à escola a substituição da família, mas sim uma atuação complementar e própria.
- B)libertar o aluno dos determinantes sociais e culturais de sua comunidade, incentivando sua autonomia de ação, pensamento e trabalho;
Errada, porque a escola não liberta o aluno da sua realidade social e cultural, mas trabalha com ela para ampliar repertórios e aprendizagens.
- C)elaborar o projeto político-pedagógico, em sintonia com sua realidade local, de modo a mobilizar a comunidade escolar para práticas de aprendizagem;
Certa, porque os PCNs valorizam a elaboração do projeto político-pedagógico conforme a realidade local e a mobilização da comunidade escolar.
- D)adotar uma postura de neutralidade em relação à transmissão de valores cívicos, focando nos conteúdos curriculares voltados à formação técnica;
Errada, porque a escola não deve ser neutra em valores nem reduzir sua missão à formação técnica; ela também forma cidadania e convivência.
- E)decidir as próprias expectativas de aprendizagem, de modo a alterar os conteúdos essenciais de cada ciclo, adequando-os à realidade cognitiva de cada aluno.
Errada, porque a escola não pode alterar livremente conteúdos essenciais de cada ciclo; ela deve seguir referências curriculares comuns, adaptando a abordagem ao contexto.
Gabarito: C
Os PCNs foram pensados para orientar o trabalho pedagógico sem engessar a escola. A ideia central não é transformar a escola em uma extensão da família, nem fazer dela um espaço neutro ou puramente técnico. Eles destacam que a escola deve organizar intencionalmente o ensino, garantindo aprendizagens essenciais e, ao mesmo tempo, respeitando a realidade em que vive. Nesse cenário, a função da escola inclui construir coletivamente seu projeto político-pedagógico, articulando currículo, objetivos, valores e práticas de acordo com seu contexto local. Isso aparece em sintonia com a LDB, especialmente quando ela afirma a autonomia da escola para elaborar sua proposta pedagógica, sem perder de vista as diretrizes comuns do sistema. Por isso, a alternativa C está correta: ela descreve uma escola que pensa sua realidade, chama a comunidade para participar e usa o projeto político-pedagógico como eixo de organização do ensino. É a cara dos PCNs, que valorizam uma escola ativa, contextualizada e comprometida com aprendizagens significativas. As demais alternativas tentam exagerar ou distorcer a função escolar: ou empurram para a escola tarefas que não são dela, ou defendem neutralidade total, ou confundem autonomia pedagógica com alteração arbitrária dos conteúdos essenciais. Em concurso, quando aparecer PCN, desconfie de radicalismos: a escola não salva tudo sozinha, mas também não pode ser um prédio que só entrega conteúdo em fila indiana.