Leia com atenção o trecho a seguir. “Ao tentar manter ausente a cultura dos currículos ou renegá-la a espaços periféricos como festas e ou aos tempos da Educação Infantil, o sistema escolar público adere e colabora com os brutais processos históricos de manter ausentes os setores populares como produtores de conhecimentos, valores, culturas, modos de pensar o real e de pensar-se” (ARROYO, 2011, p.345) Nessa perspectiva, considerando que os currículos são produtores de sujeitos dotados de classe, etnia e gênero, o papel da escola frente à possibilidade de incluir todos no currículo deve ser o de
- A)promover a organização das classes, de modo que tenhamos uma homogeneidade nos ritmos de aprendizagem.
Errada: organizar turmas por homogeneidade ignora as diferenças e reforça a exclusão, em vez de incluir todos no currículo.
- B)investir em uma formação de professores que possa abarcar o estudo sobre a inclusão e as diferenças entre os educandos.
Parcialmente pertinente, mas insuficiente: formação docente ajuda, porém o enunciado pede o papel da escola no currículo, e não só capacitação isolada.
- C)incrementar a competição entre as diferentes disciplinas do currículo.
Errada: competir entre disciplinas só fragmenta ainda mais o currículo e não enfrenta a questão da inclusão cultural.
- D)promover entre os docentes a discussão sobre o significado dos conteúdos do currículo e investir em práticas escolares que incluam toda a comunidade escolar.
Certa: valoriza a reflexão sobre o sentido dos conteúdos e propõe práticas escolares inclusivas para toda a comunidade.
- E)incluir danças folclóricas e trabalhos com lendas e parlendas em todos os níveis.
Errada: inserir elementos folclóricos em todos os níveis pode até parecer inclusivo, mas reduz a cultura a enfeite e não transforma o currículo.
Gabarito: D
O texto de Arroyo critica uma escola que trata a cultura dos grupos populares como algo decorativo, colocado na “feira cultural” ou em momentos isolados, em vez de reconhecê-la como parte viva do currículo. A ideia central é simples: currículo não é só lista de conteúdos neutros; ele também produz identidades, valores e lugares sociais. Por isso, quando a escola escolhe o que ensinar e como ensinar, ela pode incluir ou excluir sujeitos, atravessando classe, etnia e gênero. Nessa lógica, a escola precisa ir além de “tolerar” diferenças. Ela deve discutir o sentido dos conteúdos, repensar o que conta como conhecimento e criar práticas que acolham a diversidade real dos estudantes. Não basta colocar uma atividade folclórica no calendário e achar que resolveu o problema, porque isso vira inclusão de vitrine, bem bonita, mas meio vazia. O gabarito D está correto porque propõe exatamente isso: promover a discussão entre os docentes sobre o significado dos conteúdos curriculares e investir em práticas escolares que incluam toda a comunidade escolar. Isso dialoga com uma perspectiva crítica e inclusiva de currículo, próxima das discussões de cultura, diferença e justiça curricular. Em termos legais, essa ideia conversa com a LDB (Lei 9.394/1996), que orienta a educação para o pleno desenvolvimento do educando e para o respeito à diversidade, além de se alinhar às diretrizes de educação inclusiva e às leis que valorizam história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo.