As famílias de indivíduos com necessidades especiais, associadas ou não a deficiência, tendem a se sentir isoladas e desamparadas para administrar as dificuldades que se apresentam em tal situação. Este cenário pode ser explicado pelos fatores listados a seguir, à exceção de um. Assinale-o.
- A)Disseminação de ideias preconceituosas e estereotipadas na sociedade sobre o indivíduo com deficiência.
Certa, porque a disseminação de estereótipos e preconceitos contribui diretamente para o isolamento e a desorganização emocional da família.
- B)Apoio limitado por parte da sociedade e do poder público a projetos na área de atendimento a necessidades especiais.
Certa, porque o apoio limitado da sociedade e do poder público dificulta a construção de redes de proteção e suporte às famílias.
- C)Orientação terapêutica em grupo para estimular troca de experiências e gerenciamento das dificuldades cotidianas.
Errada, porque a orientação terapêutica em grupo tende a diminuir o isolamento, favorecendo apoio mútuo e compartilhamento de experiências.
- D)Hostilidade encoberta em relação aos que apresentam uma deficiência intelectual ou motora, por parte da sociedade.
Certa, porque a hostilidade encoberta reforça a exclusão social e aumenta a sensação de desamparo da família.
- E)Dissonância entre as práticas convencionadas para a criação de um filho e a realidade experimentada com o filho com deficiência.
Certa, porque a distância entre as expectativas de criação de um filho e a realidade vivida com a deficiência gera conflito, sofrimento e sobrecarga.
Gabarito: C
A questão trabalha com os fatores que costumam aumentar a sensação de isolamento das famílias de pessoas com deficiência ou com outras necessidades especiais. Em geral, essa sobrecarga aparece quando a sociedade trata a deficiência com preconceito, quando o poder público oferece pouco apoio e quando a própria rotina familiar fica em choque com o que se imaginava para a criação do filho. Tudo isso faz a família carregar o problema praticamente sozinha. Também pesa muito a hostilidade velada, aquela forma de rejeição que não aparece de maneira aberta, mas se manifesta em olhares, exclusão e dificuldade de convivência social. Na prática, isso isola ainda mais a família e dificulta o acesso a redes de apoio. Esse tipo de cenário é bem compatível com a ideia de barreiras sociais à inclusão, muito presente na perspectiva da educação inclusiva e dos direitos da pessoa com deficiência. O ponto fora da curva é a orientação terapêutica em grupo para troca de experiências. Em vez de agravar o desamparo, esse tipo de ação tende justamente a reduzir o isolamento, fortalecer vínculos e ajudar no enfrentamento das dificuldades cotidianas. Ou seja, ela é uma medida de apoio, não uma causa do problema. Em termos legais, a lógica da inclusão é reforçada pela Constituição Federal, pela LDB e pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), que valorizam o atendimento adequado, o apoio especializado e a eliminação de barreiras. Então, se a alternativa fala em acolhimento e troca de experiências, ela vai na direção oposta do cenário descrito.