“De acordo com o Censo Escolar de 2020, 62.581 crianças e adolescentes com surdez ou deficiência auditiva estão matriculados na educação básica brasileira. Esses alunos deveriam estar recebendo um atendimento educacional especializado, como previsto na Lei nº 10.436 (2002), que legitimou a Língua Brasileira de Sinais como língua oficial dos brasileiros com surdez. Mas, segundo especialistas em docência em Libras, educandos com deficiência auditiva continuam apresentando dificuldades de aprendizagem, em função da carência de intérpretes para elas, que acabam ficando à mercê da pedagogia do ensino local”. Adaptado de “Surdez na escola: os passos da inclusão na educação infantil”. Nexo Jornal, 20/01/2022. A partir dessa reflexão, é correto afirmar que
- A)o ensino inclusivo para crianças com deficiência auditiva enfrenta o desafio de superar as dificuldades cognitivas inerentes ao educando surdo.
Errada, porque o problema não é uma dificuldade cognitiva inerente ao aluno surdo, mas a falta de acessibilidade linguística e de apoio pedagógico adequado.
- B)o reconhecimento da língua de sinais brasileira de forma oficial é recente em nossa história, o que pode explicar a escassez de recursos humanos especializados.
Certa, pois o reconhecimento oficial da Libras é recente e isso ajuda a explicar a carência histórica de profissionais e recursos especializados nas escolas.
- C)as escolas brasileiras possuem recursos suficientes e adequados de ensino da Libras, principalmente no que diz respeito à disponibilidade de intérpretes.
Errada, porque o próprio enunciado mostra a falta de intérpretes e de atendimento adequado, então não se pode afirmar que os recursos são suficientes.
- D)a oferta de materiais com audiodescrição é uma opção de tecnologia assistiva para alunos com deficiência auditiva de fácil acesso ao ensino local.
Errada, porque audiodescrição é recurso voltado principalmente a pessoas com deficiência visual, não sendo a tecnologia assistiva mais adequada para deficiência auditiva.
- E)a atuação de professores-intérpretes da Língua Brasileira de Sinais está restrita ao Ensino Fundamental, de acordo com as leis e políticas públicas vigentes.
Errada, porque a atuação de intérpretes de Libras não se limita ao Ensino Fundamental, alcançando diferentes etapas e modalidades da educação básica e, conforme a necessidade, outros contextos educacionais.
Gabarito: B
A questão gira em torno da inclusão escolar do aluno com deficiência auditiva e do papel da Libras na garantia de acesso ao conteúdo. A Lei nº 10.436/2002 reconheceu a Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação e expressão no Brasil, e isso foi regulamentado pelo Decreto nº 5.626/2005, que reforçou a necessidade de formação de profissionais, intérpretes e atendimento adequado nas redes de ensino. Em outras palavras: não basta matricular, é preciso assegurar comunicação, mediação pedagógica e recursos humanos especializados. O enunciado aponta justamente uma dificuldade real das escolas: a carência de intérpretes e de condições adequadas para o uso da Libras. Isso ajuda a entender por que a mera presença do aluno na sala não garante aprendizagem. A inclusão, aqui, depende de acessibilidade linguística, não de uma suposta limitação cognitiva do estudante. Surdez não significa incapacidade intelectual, e a banca gosta de testar essa confusão básica. Por isso, a alternativa correta é a que destaca que o reconhecimento oficial da língua de sinais é recente na história brasileira. Como a legislação é relativamente recente, a estrutura de apoio também demorou a se consolidar, o que ajuda a explicar a escassez de recursos humanos especializados, especialmente intérpretes e profissionais preparados para atuar com Libras. Então, o ponto central é: a legislação avançou, mas a prática escolar ainda corre atrás. A inclusão do aluno com deficiência auditiva exige política pública, formação e acessibilidade comunicacional, e não apenas boa vontade ou adaptação improvisada.