Um grupo de educadores e gestores está abrindo uma escola e pretende adotar o paradigma do planejamento participativo. A organização deste tipo de escola tem como característica:
- A)ser conduzida conforme os princípios do gerenciamento de empresas, com descentralização, visando incentivar maior produtividade dos colaboradores;
Errada, porque reduz a escola a uma lógica empresarial de produtividade, o que contraria a ideia de participação democrática.
- B)ter suas ações decididas em assembleias, nas quais os participantes poderão opinar sobre as propostas apresentadas pelos níveis superiores da administração;
Errada, porque mantém a decisão concentrada nos níveis superiores e deixa aos demais apenas o papel de opinar, não de decidir.
- C)constituir-se a partir de um diagnóstico dos problemas da sociedade em que está situada, para melhor saber como se posicionar competitivamente no mercado;
Errada, porque traz uma visão competitiva de mercado, que não corresponde ao planejamento participativo na escola.
- D)poder fazer uso de técnicas e de instrumentos da administração empresarial, a serviço da consecução dos princípios democráticos de distribuição de poder;
Certa, pois admite técnicas da administração, mas colocadas a serviço da democracia, com distribuição de poder e participação.
- E)montar-se em torno de um projeto de participação da comunidade local, com vistas a realizar transformações sociais mediante a difusão de valores corporativos.
Errada, porque mistura participação comunitária com difusão de valores corporativos e transformação social em chave empresarial.
Gabarito: D
Planejamento participativo, na escola, não é só “chamar todo mundo para a sala e votar tudo no grito”. A ideia central é democratizar a tomada de decisões, com participação real de professores, gestores, estudantes, famílias e comunidade, especialmente na construção do projeto pedagógico e das ações da escola. Isso conversa diretamente com a gestão democrática do ensino público, prevista no art. 206, VI, da Constituição e no art. 3º, VIII, e art. 14 da LDB (Lei 9.394/1996). O ponto-chave é este: a escola pode até utilizar instrumentos de administração, planejamento e organização, mas eles devem servir ao projeto educativo e aos princípios democráticos, e não transformar a escola numa empresa que só busca desempenho e produtividade. Em concurso, a FGV gosta muito dessa virada: pega uma linguagem de gestão e testa se você percebe se ela está a serviço da educação ou do mercado. Por isso, a alternativa D é a correta. Ela descreve justamente uma escola que usa técnicas e instrumentos administrativos, mas subordinados à distribuição democrática do poder e à participação coletiva. É a lógica do planejamento participativo: planejar com diálogo, corresponsabilidade e decisão compartilhada, e não impor metas de cima para baixo. Em resumo, a escola participativa não abandona a organização, mas muda a finalidade dela. A gestão existe, só que com cara de escola pública democrática, e não de empresa querendo bater meta de produção.