“Pau que nasce torto, morre torto”. O ditado acima expressa metaforicamente uma certa abordagem quanto aos processos de aprendizagem. Essa abordagem é classificada como
- A)inatista, pois o aprendizado é fruto de uma regulação endógena de mecanismos considerados como inatos, que ocorre por insight, ou seja, pela reorganização perceptiva.
Certa, porque expressa a ideia de que as características do desenvolvimento já estariam dadas desde o nascimento, o que é típico do inatismo.
- B)empirista, pois privilegia a experiência como fonte do conhecimento e explica o desenvolvimento da inteligência como resposta à pressão do meio exterior.
Errada, porque o empirismo valoriza a experiência e o ambiente como fontes do conhecimento, e não uma determinação inata.
- C)interacionista, pois considera o indivíduo como um ser ativo na construção de explicações sobre o mundo, desde a infância.
Errada, porque o interacionismo destaca a construção do conhecimento na interação entre sujeito e meio, e não uma fixidez natural.
- D)behaviorista, pois baseia-se na relação estímulo-resposta, pela qual a escola tem papel importante ao fornecer incentivos para o desenvolvimento dos alunos.
Errada, porque o behaviorismo explica a aprendizagem pela relação estímulo-resposta e pela influência do ambiente, não por traços inatos.
- E)construtivista, pois pressupõe que a criança é um ser pensante, construtora de suas próprias estruturas cognitivas, mesmo sem ser ensinada.
Errada, porque o construtivismo vê a criança como ativa na construção do conhecimento, o que contraria a ideia de destino já pronto.
Gabarito: A
A frase “pau que nasce torto, morre torto” traduz uma visão de aprendizagem em que o sujeito já traz, de nascença, um destino praticamente pronto. Em outras palavras, a ideia é que as características mais importantes do desenvolvimento estão dadas desde o início, e o meio pouco ou nada consegue alterar esse percurso. É uma leitura bem comum nas teorias inatistas. No inatismo, o desenvolvimento decorre principalmente de fatores internos e biológicos. A criança já nasceria com disposições, capacidades e limites que se manifestariam ao longo do tempo. Por isso, essa abordagem combina muito com ditados populares que tratam o comportamento como algo “fixo” ou “natural”, como se a educação tivesse pouca força para mudar o que já veio pronto. É exatamente por isso que o gabarito é a letra A. A alternativa descreve a aprendizagem como fruto de mecanismos inatos, isto é, internos ao sujeito, com pouca influência do ambiente. Esse é o coração da visão inatista: o conhecimento não é construído prioritariamente pela experiência, mas desabrocha a partir de algo que já estava lá. Vale lembrar a diferença básica: empirismo dá peso ao meio e à experiência; interacionismo fala em construção ativa na relação sujeito-objeto; behaviorismo enfatiza estímulo e resposta. Aqui, porém, o enunciado aponta para uma ideia de predestinação, de algo já “marcado” desde o nascimento. Bem cara de prova que adora um ditado para testar teoria pedagógica.