Existem concepções que guiam o fazer avaliativo. Dentre as teorias contemporâneas que balizam as avaliações no campo educacional, em uma perspectiva democrática de sociedade e para uma formação cidadã precisamos considerar que:
- A)avaliar significa apenas acompanhar o estudante durante seu processo de formação.
Errada, porque avaliar não significa apenas acompanhar: envolve também analisar, intervir, redirecionar e tomar decisões pedagógicas.
- B)todos os processos de ensino resultam em aprendizagem e necessitam ser padronizados.
Errada, porque nem todo ensino gera aprendizagem automaticamente e a avaliação não deve ser padronizada como se todos aprendessem do mesmo jeito.
- C)as múltiplas dimensões dos sujeitos não estão implicadas no olhar avaliativo.
Errada, porque as múltiplas dimensões do sujeito, cognitivas, sociais, afetivas e culturais, fazem parte do olhar avaliativo.
- D)os métodos e instrumentos de avaliação não estão fundamentados em valores morais, visões de sociedade e de sujeito.
Errada, porque métodos e instrumentos de avaliação sempre carregam valores, concepções de sociedade e de sujeito, mesmo quando isso não é declarado.
- E)o ato de avaliar abrange o cotidiano do fazer pedagógico e sua energia faz pulsar o planejamento.
Certa, porque a avaliação integra o cotidiano pedagógico, orienta intervenções e dá sentido ao planejamento e ao replanejamento.
Gabarito: E
A avaliação educacional, numa visão democrática, não é um apêndice burocrático da aula: ela faz parte do próprio processo de ensinar e aprender. Isso significa olhar para o estudante de forma ampla, considerando o contexto, as aprendizagens, as dificuldades, os avanços e até os efeitos do que foi planejado. Avaliar, aqui, não é só medir resultado final, mas produzir informações para decidir melhor o que fazer a seguir. Quando a banca fala em formação cidadã, ela está pensando em uma avaliação que dialogue com o cotidiano escolar, com o planejamento e com a prática pedagógica. Em outras palavras, o ato de avaliar ajuda a enxergar o que funciona, o que precisa ser retomado e como a proposta pedagógica pode ser ajustada. É uma ideia bem próxima da avaliação formativa, defendida na literatura educacional, como em Hadji e Luckesi, que tratam a avaliação como parte do percurso e não como sentença final. Por isso, a alternativa E está correta: o ato de avaliar abrange o cotidiano do fazer pedagógico e alimenta o planejamento, fazendo-o avançar com sentido. Avaliar não fica fora da aula, sentado na cadeira da secretaria ou preso a uma prova isolada; ele pulsa junto com a prática docente. As demais alternativas escorregam porque reduzem, absolutizam ou distorcem a avaliação. Em uma perspectiva democrática, avaliar deve considerar a integralidade do sujeito, os valores envolvidos e a função pedagógica do processo, e não apenas classificar ou padronizar.