De acordo com Tardif (2002), os saberes que servem de base para o ensino são, aparentemente, caracterizados por aquilo que se pode chamar de sincretismo. Avalie as afirmações sobre sincretismo e saberes dos professores. I - Um professor possui habitualmente uma só e única “concepção” de sua prática, utilizada em função, ao mesmo tempo, de sua realidade cotidiana, biográfica, de necessidades, de recursos e de limitações. II - Os saberes dos professores possuem uma certa coerência; não se trata de uma coerência teórica nem conceitual, mas pragmática e biográfica. III - Os saberes dos professores são oriundos, sobretudo, da pesquisa e de saberes codificados que fornecem soluções totalmente prontas para os problemas concretos da ação cotidiana. IV - Ao agir, o professor se baseia em vários tipos de juízos práticos para estruturar e orientar sua atividade profissional, baseando-se com frequência em valores morais ou normas sociais. V - Para atingir fins pedagógicos, o professor também se baseia em juízos provenientes de tradições escolares, pedagógicas e profissionais que ele mesmo assimilou e interiorizou, em sua experiência vivida. Está correto apenas o que se afirma em
- A)I e II.
Errada, porque o item I não combina com Tardif e o item II é verdadeiro, então não formam um conjunto correto.
- B)III e V.
Errada, porque o item III é falso ao dizer que os saberes vêm sobretudo da pesquisa com soluções prontas.
- C)IV e V.
Certa, pois os itens IV e V expressam os juízos práticos, valores e tradições interiorizadas que Tardif destaca.
- D)I, III e V.
Errada, porque o item I é incorreto e o item III também está errado.
- E)II, IV e V.
Certa, pois II, IV e V descrevem a coerência pragmática e biográfica dos saberes docentes, além dos juízos práticos e tradições assimiladas.
Gabarito: E
Tardif (2002) mostra que os saberes docentes não são um bloco certinho e “arrumadinho” de teoria pronta. Eles têm um caráter sincrético, isto é, misturam experiências de vida, formação escolar, tradição profissional, valores, normas e ajustes feitos na prática do dia a dia. É o famoso saber que nasce no trabalho real, com todas as suas improvisações inteligentes. Por isso, a banca acerta quando valoriza os itens que falam dessa mistura coerente do ponto de vista prático, e não necessariamente teórico. Os saberes do professor se organizam de modo pragmático e biográfico, ligados à história pessoal e à experiência vivida, não como um manual perfeito de respostas prontas. Também é correto dizer que o professor age com base em juízos práticos, muitas vezes atravessados por valores morais e normas sociais, além de tradições escolares e pedagógicas que ele incorpora ao longo da carreira. Em Tardif, o professor não aplica apenas conhecimento pesquisado: ele interpreta, adapta e decide no contexto concreto da sala de aula. Assim, o gabarito E está correto porque os itens II, IV e V traduzem bem essa ideia de saber docente como construção prática, biográfica e social. Já as afirmações I e III exageram ou distorcem o pensamento de Tardif, como se o professor tivesse uma única concepção fixa ou como se seus saberes viessem sobretudo de pesquisas e soluções prontas.