Os vocábulos “integração” e “inclusão”, fundamentados em posicionamentos teórico-metodológicos divergentes, são utilizados para expressar situações distintas. Para Montoan (2003), a inclusão
- A)refere-se mais especificamente à inserção de alunos com deficiência nas escolas comuns.
Errada, porque descreve mais a integração de alunos com deficiência do que a noção ampla de inclusão defendida por Mantoan.
- B)é incompatível com a integração, pois prevê a inserção escolar de forma radical, completa e sistemática de todos os alunos.
Certa, pois expressa a inclusão como mudança estrutural da escola para atender todos os alunos de forma completa e sistemática.
- C)prevê individualização dos programas escolares, dos currículos adaptados e das avaliações especiais.
Errada, porque fala em currículos adaptados e avaliações especiais como eixo central, o que remete mais a práticas de adaptação do modelo integrado do que à inclusão plena.
- D)objetiva inserir um aluno ou um grupo de alunos que já tenha sido anteriormente excluído.
Errada, porque essa descrição é genérica e se aproxima da ideia de reinserção de quem foi excluído, sem captar o alcance transformador da inclusão.
- E)ocorre dentro de uma estrutura educacional que oferece ao aluno a oportunidade de transitar no sistema escolar – da classe regular ao ensino especial.
Errada, porque esse trânsito entre classe regular e ensino especial caracteriza a integração, com circulação em uma estrutura ainda separada.
Gabarito: B
A ideia central aqui é distinguir dois jeitos de pensar a escolarização de alunos com deficiência ou em situação de exclusão. A integração costuma admitir que o aluno se adapte à escola já pronta, muitas vezes com ajustes pontuais. Já a inclusão parte da lógica inversa: é a escola que precisa se reorganizar para acolher todos, sem transformar a presença do aluno em exceção. Para Mantoan, inclusão não é só colocar o aluno na sala comum e achar que o serviço está feito. É uma mudança mais profunda, que rompe com a lógica segregadora e com a ideia de “encaixar” o estudante em um modelo escolar previamente definido. Por isso, ela defende uma inserção escolar radical, completa e sistemática de todos os alunos, com a escola assumindo a diversidade como regra, não como problema. Esse ponto aparece em contraste com práticas típicas da integração, que muitas vezes mantêm a estrutura especial paralela e permitem apenas a passagem de alguns estudantes entre espaços diferentes. Na inclusão, a escola comum é o centro do processo, e o atendimento educacional especializado funciona como apoio, não como destino separado. Por isso, a alternativa B está correta: ela traduz exatamente a concepção de Mantoan, que vê inclusão e integração como perspectivas diferentes e, em certa medida, incompatíveis. A base legal brasileira também segue essa direção, especialmente a LDB e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que valorizam o acesso, a participação e a aprendizagem de todos na escola comum.