No texto “Relação escola/sociedade: novas respostas para um velho problema”, Nóvoa (2010) afirma a necessidade de se pensar em novos moldes para as relações entre a escola e a sociedade. Para isso, segundo o autor, é preciso privilegiar, no triângulo político, o lado que une quais vértices?
- A)Saberes experienciais/saberes da sociedade.
Errada, porque saberes experienciais e saberes da sociedade são importantes, mas não correspondem ao lado do triângulo político destacado por Nóvoa.
- B)Professores/estado.
Errada, pois reduzir a questão à relação entre professores e Estado empobrece a proposta do autor, que busca justamente ampliar a parceria social.
- C)Alunos/ saberes curriculares.
Errada, porque alunos e saberes curriculares são centrais no processo pedagógico, mas não são o foco da relação escola-sociedade discutida no texto.
- D)Sociedade/ONGS.
Errada, já que ONGs podem colaborar com a educação, mas não representam o vértice privilegiado indicado por Nóvoa.
- E)Professores e famílias/comunidades.
Certa, porque o autor valoriza a aproximação entre professores e famílias/comunidades como eixo para repensar a relação entre escola e sociedade.
Gabarito: E
Nóvoa discute que a escola não pode ser pensada como uma ilha, separada da vida social, nem como uma máquina que funciona sozinha. Quando ele fala em "triângulo político", está chamando atenção para as relações de poder e de cooperação entre os atores que sustentam a educação. A ideia é olhar para os vínculos que realmente fazem a escola acontecer no cotidiano, e não só para a estrutura formal do sistema. Nesse contexto, o autor defende que o lado a ser privilegiado é o que aproxima professores e famílias/comunidades. Isso porque a qualidade da educação não depende apenas de normas do Estado ou de conteúdos curriculares, mas da construção de uma parceria concreta entre quem ensina e o entorno social dos alunos. Em outras palavras: escola forte não é escola isolada, é escola conectada. O gabarito E está correto porque traduz exatamente essa aposta em relações mais horizontais e colaborativas entre a instituição escolar e a comunidade. Nóvoa critica modelos em que a escola fica presa só à burocracia estatal ou distante da realidade social, e propõe reaproximar os sujeitos que vivem a educação no dia a dia. É uma visão bem afinada com a perspectiva de gestão democrática prevista na LDB, especialmente nos artigos 12, 13 e 14, que valorizam a participação da comunidade escolar. Então, quando a questão fala em novos moldes para a relação escola-sociedade, pense menos em estrutura fria e mais em vínculo vivo. A escola ganha força quando professores, famílias e comunidade deixam de ser visitantes ocasionais e passam a ser parceiros de verdade.