Ao considerar as crianças como membros efetivos da sociedade, deve-se ter em conta não apenas que a linguagem escrita está presente no cotidiano desses sujeitos, mas também e, sobretudo, que ela confere um significado distinto a suas práticas sociais. Sobre este tema é correto o que se afirma em:
- A)Na escola, atividades para o desenvolvimento da linguagem escrita só pode ter início com as crianças maiores de sete anos.
Errada, porque o desenvolvimento da linguagem escrita não precisa esperar os sete anos; a criança pode iniciar esse contato desde cedo, em experiências significativas.
- B)É um equívoco a prática educativa nos anos iniciais do Ensino Fundamental que trabalha com textos de circulação social.
Errada, porque trabalhar com textos de circulação social é justamente uma prática adequada e recomendada nos anos iniciais.
- C)É necessário pensar em uma prática educativa na qual o aprendiz vai se apropriando da tecnologia da escrita, ao mesmo tempo em que vai se tornando um usuário competente desse sistema.
Certa, porque a criança aprende a escrita ao mesmo tempo em que se apropria dela como instrumento social e comunicativo.
- D)A avaliação no processo de alfabetização deve acontecer exclusivamente por meio de provas orais e escritas e por sondagem rigorosa da escrita das crianças.
Errada, porque a avaliação na alfabetização não deve se limitar exclusivamente a provas e sondagens rigorosas, devendo ser contínua e diversificada.
- E)É necessário planejar uma prática educativa que priorize a escrita para que as crianças dominem a base alfabética.
Errada, porque priorizar apenas a escrita para dominar a base alfabética empobrece o processo e ignora a articulação entre leitura, escrita e usos sociais da linguagem.
Gabarito: C
A questão trata da alfabetização e do letramento, ou seja, não basta a criança aprender letras e sons: ela precisa entender para que a escrita serve na vida real. Hoje se sabe que a criança já convive com textos muito antes de “saber ler”, então a escola não deve esperar uma idade mágica nem trabalhar a escrita como algo solto do mundo social. No cotidiano, a criança vê placas, rótulos, bilhetes, listas, livros, mensagens e usos reais da linguagem escrita. Por isso, a prática pedagógica precisa aproximar a sala de aula dessas situações de circulação social, para que o aluno perceba a escrita como uma tecnologia cultural que organiza, comunica e dá sentido às práticas sociais. É exatamente essa a ideia da alternativa C: o aprendiz vai se apropriando da escrita ao mesmo tempo em que se torna um usuário competente desse sistema. Em outras palavras, aprender a escrever não é só copiar traços, mas participar de situações significativas de leitura e escrita. Isso dialoga com a perspectiva do letramento, muito trabalhada na pedagogia contemporânea. As demais alternativas erram ao restringir, empobrecer ou supervalorizar a avaliação e o ensino da escrita. Em prova, desconfie sempre de frases com “só”, “exclusivamente” e “apenas”, porque a educação raramente cabe em caixinhas tão rígidas.