Uma determinada aprendizagem é correta dentro de um certo contexto. Os significados são contextuais. Por exemplo, no contexto da física, trabalho é o produto escalar de dois vetores – um vetor força e um vetor deslocamento. Se o ângulo entre eles for de 90°, o produto escalar será nulo e, consequentemente, o trabalho feito pela força em questão será nulo; é o caso da força centrípeta no movimento circular. Isso no contexto da física. Mas no contexto do cotidiano, trabalho está, por exemplo, associado a esforço físico, de modo que nesse contexto não tem muito sentido dizer que é nulo o trabalho realizado por uma força. Então, se para um aprendiz trabalho significa esforço físico, cansaço, obrigação, não se pode dizer que tal aprendizagem não é correta, exceto se nos restringirmos a um contexto específico, como o da física. Na física, trabalho é um conceito-chave, mas tem outros significados. A essência da aprendizagem significativa está, então:
- A)Na organização das informações novas e aqueles já existentes de modo arbitrário e literal, prevalecendo a relevância da interação entre o conhecimento prévio do aprendiz e o novo conteúdo.
Errada, porque descreve uma organização arbitrária e literal, o oposto da aprendizagem significativa, que exige conexão com os conhecimentos prévios.
- B)Na capacidade do aluno de aplicar novos conhecimentos em situações cotidianas, ainda que sem compreensão dos conceitos, pois a utilidade prática do conhecimento é o objetivo principal da educação.
Errada, porque valoriza o uso prático sem compreensão conceitual, o que se aproxima de aprendizagem mecânica e não da construção de significado.
- C)Na utilização de recursos tecnológicos inovadores, como jogos e simulações, que tornam o processo de aprendizagem mais divertido e engajador, uma vez que garantem a compreensão profunda dos novos conceitos dando significado ao conhecimento prévio.
Errada, porque tecnologia e ludicidade podem ajudar, mas não garantem aprendizagem significativa por si só; o foco da teoria está na relação cognitiva entre novos e velhos conhecimentos.
- D)Na interação entre os novos conhecimentos e aqueles já existentes na estrutura cognitiva, porém de maneira não-arbitrária e não-literal, pois é nessa interação que o significado lógico do material de aprendizagem se transforma em significado psicológico para o aprendiz.
Certa, porque expressa exatamente a aprendizagem significativa de Ausubel: interação não arbitrária e não literal entre o novo conteúdo e a estrutura cognitiva já existente.
Gabarito: D
A questão trata da aprendizagem significativa, associada à teoria de David Ausubel. A ideia central é simples: aprender bem não é decorar palavra por palavra, mas ligar o novo conteúdo ao que você já sabe. Se essa ligação acontece de modo claro e com sentido, o conteúdo ganha “vida” na estrutura cognitiva do aluno. É por isso que o enunciado usa o exemplo do termo “trabalho”. No cotidiano, a palavra pode significar esforço, cansaço, tarefa. Já na Física, tem um sentido técnico específico. Ou seja, o significado depende do contexto e do conhecimento prévio de quem aprende. Quando o aluno consegue relacionar o novo conceito ao que já existe na sua cabeça, ocorre a aprendizagem significativa. O ponto decisivo está na relação não-arbitrária e não-literal entre o novo conhecimento e a estrutura cognitiva já existente. Não é uma junção solta, aleatória ou mecânica. É uma organização com sentido, em que o significado lógico do material didático se transforma em significado psicológico para o aprendiz. Em linguagem de prova: o conteúdo faz sentido para você porque encontra “gancho” no que você já sabe. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela traduz exatamente a essência da teoria de Ausubel: interação entre conhecimentos novos e prévios, de forma não arbitrária e não literal. Se a banca falar em memorização mecânica, repetição sem conexão ou aprendizagem isolada do contexto, você já pode desconfiar na hora.