Um grupo de professores em uma escola está buscando novas formas de aprimorar suas práticas pedagógicas de maneira colaborativa. Qual ação prática é considerada mais adequada, de acordo com a “revolução de competências” de Perrenoud?
- A)A formação contínua deve ser individualizada, com cada professor buscando aprimoramento conforme suas necessidades específicas, sem a interferência de debates coletivos que possam desacelerar o processo de adaptação às novas demandas pedagógicas.
Errada, porque contraria a lógica colaborativa de Perrenoud ao defender formação individual sem debate coletivo.
- B)Os professores devem desenvolver, de maneira autônoma, projetos inovadores e aplicá-los em suas salas de aula, compartilhando os resultados apenas após a implementação, para evitar interferências externas que possam comprometer a eficácia das novas abordagens.
Errada, pois valoriza a autonomia isolada e posterga a troca entre colegas, o que enfraquece a reflexão coletiva sobre a prática.
- C)A prática pedagógica deve ser continuamente revisada e aprimorada por meio de formações colaborativas, nas quais os professores experimentam estratégias inovadoras de ensino em grupo, refletindo criticamente sobre os resultados para ajustá-las ao contexto educacional da escola.
Certa, porque traz formação colaborativa, experimentação e reflexão crítica, exatamente no espírito da revolução de competências de Perrenoud.
- D)A adoção de novas práticas pedagógicas deve focar exclusivamente no aprimoramento tecnológico, delegando a reflexão sobre as competências docentes a especialistas externos que forneçam diagnósticos e orientações, sem a necessidade de que os professores participem ativamente dessas discussões.
Errada, porque reduz a mudança pedagógica ao aspecto tecnológico e afasta o professor da reflexão ativa sobre suas próprias competências.
Gabarito: C
Perrenoud defende a chamada revolução das competências, que desloca o foco da simples transmissão de conteúdo para a capacidade de agir, refletir e resolver situações reais da prática docente. Em vez de um professor isolado, ele propõe uma escola em que o trabalho seja mais cooperativo, com troca de experiências, análise de situações concretas e revisão contínua das próprias práticas. Isso combina muito com a ideia de formação continuada como algo vivo, ligado ao cotidiano da sala de aula. Não é só fazer curso para “cumprir tabela”; é experimentar, observar o que funcionou, o que travou e ajustar o caminho. Na pedagogia, aprender com o outro costuma render mais do que reinventar a roda sozinho. A roda, inclusive, já anda cansada de tanto ser reinventada sem conversa. Por isso, a alternativa C está correta: ela fala de formação colaborativa, experimentação de estratégias inovadoras em grupo e reflexão crítica sobre os resultados para adaptar as práticas ao contexto da escola. Isso está bem alinhado com Perrenoud, que valoriza competências docentes construídas na ação, na reflexão e na cooperação entre pares. As demais opções escorregam porque apostam no isolamento do professor, na inovação sem debate ou em uma visão tecnicista e externa da formação. Em concurso, quando aparecer Perrenoud, pense em prática reflexiva, colaboração e adaptação ao contexto, não em fórmula pronta.