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Pedagogia · CONSULPLAN · 2025

Questão comentada de Pedagogia

Entendemos a infância como uma experiência que pode, ou não, atravessar os adultos, da mesma forma que pode, ou não atravessar as crianças. Nessa perspectiva, a ideia de infância não está vinculada unicamente a uma faixa etária, à cronologia, a uma etapa psicológica ou a uma temporalidade linear, cumulativa e gradativa, mas ao acontecimento, à arte, ao inusitado, ao intempestivo. O espaço público é aquele que permite múltiplas experimentações. É o espaço, por excelência da criação, em que se exercitam formas diferentes de sociabilidade, subjetividade e ação. É preciso saber aproveitar as possibilidades de acontecimentos que se inauguram na cena pública e escolar buscando a autonomia das crianças. (Abramowicz; Levocovitz; Rodrigues, 2009, p. 180.) Considerando as afirmativas, assinale a que está coerente ao texto.

Gabarito: C

O texto trata a infância não como uma fase apenas biológica ou cronológica, mas como uma experiência ligada ao inesperado, à criação, à invenção e à participação no mundo. Em vez de pensar a criança como alguém que só deve repetir e se adaptar, a ideia é reconhecer que ela produz sentidos, interage com o espaço público e constrói subjetividade nas relações. Isso conversa com uma visão muito presente na Educação Infantil contemporânea: a criança é sujeito de direitos, capaz de agir, imaginar, perguntar e criar. Na prática, isso significa que a escola de Educação Infantil não deve funcionar como uma miniatura do ensino fundamental, cheia de treino mecânico e pressa para “adiantar conteúdo”. O foco precisa estar em experiências ricas, brincadeiras, interação, linguagem, exploração do ambiente e participação em situações coletivas. A LDB (Lei 9.394/1996), ao tratar da Educação Infantil, reforça o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, em complemento à ação da família e da comunidade. Por isso, a alternativa C está correta: ela valoriza aulas e situações em que a criança aprende e, ao mesmo tempo, se torna sujeito criativo, capaz de se posicionar no coletivo e produzir sua própria subjetividade. É exatamente essa infância viva, inventiva e não padronizada que o texto defende. A escola, aqui, não “aplana” a criança; ela abre espaço para que a criança exista com voz, gesto e imaginação.

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