As teorias de currículo incluem perspectivas como a tradicional, centrada no conteúdo; a crítica, que questiona as relações de poder; e, a pós-crítica, que busca novas alternativas para a teoria curricular, valorizando a diversidade e a experiência dos alunos. No contexto pós-crítico, o propósito da investigação no campo do currículo é buscar uma visão de revelação original para mundos não conhecidos, o estudo da experiência educacional subjetiva e a transgressão como instrumento pedagógico. Na perspectiva pós-crítica, encontra-se o pensamento multiculturalista em suas diferentes linhas. Em geral, os teóricos pós- -críticos sustentam-se na cultura como campo de estudos, nas práticas curriculares para compreenderem as relações e para possibilitar a construção de significados. A perspectiva crítica do multiculturalismo cultiva duas vertentes: uma concepção denominada pós-estruturalista e outra materialista. Na visão materialista
- A)as relações econômico-estruturais são vistas como mediares da produção da diferença e da desigualdade social e, por consequência, das relações culturais.
Correta, porque a vertente materialista explica a diferença e a desigualdade a partir das relações econômico-estruturais que também moldam a cultura.
- B)o propósito da investigação no campo do currículo é buscar uma visão de mundo universal e homogênea, a partir da padronização de conteúdos e práticas pedagógicas.
Errada, porque descreve uma visão tradicional e homogênea de currículo, contrária à abordagem pós-crítica e multicultural.
- C)o fundante é a análise da diferença enquanto expressão do ser-no-mundo, do ser-com-outro. Nesse sentido, a diferença é sempre uma relação. O discurso produz a realidade cultural.
Errada, porque mistura a ênfase pós-estruturalista no discurso com uma formulação filosófica que não corresponde à vertente materialista pedida no enunciado.
- D)a cultura é vista como um conjunto de elementos estáticos e heterogêneos, transmitidos de geração em geração. As relações de poder e as diferentes formas de conhecimento não são consideradas na análise curricular.
Errada, porque trata a cultura como algo fixo e ignora poder e conhecimento, o que vai na direção oposta das teorias críticas e pós-críticas.
Gabarito: A
Quando o assunto é currículo, a banca costuma explorar as três grandes leituras: a tradicional, que valoriza a seleção e a organização de conteúdos; a crítica, que pergunta quem ganha e quem perde com esse currículo; e a pós-crítica, que amplia o olhar para cultura, identidade, diferença, linguagem e subjetividade. Em vez de tratar o currículo como algo neutro, a perspectiva pós-crítica entende que ele produz sentidos e também disputa significados dentro da escola. No multiculturalismo crítico, aparecem duas linhas importantes: a pós-estruturalista e a materialista. A pós-estruturalista enfatiza o papel do discurso na produção das identidades e das diferenças. Já a materialista olha para as condições concretas da sociedade, especialmente as relações econômicas e estruturais, para entender como diferença e desigualdade são produzidas e mantidas. É exatamente aí que a letra A acerta: ela diz que as relações econômico-estruturais funcionam como mediadoras da produção da diferença e da desigualdade social, e isso repercute nas relações culturais. Ou seja, não basta olhar só para ideias abstratas ou para a diversidade de forma genérica; é preciso perceber como a estrutura social ajuda a organizar quem tem mais voz, mais acesso e mais reconhecimento. Esse raciocínio dialoga com autores como Michael Apple e Henry Giroux, que criticam a falsa neutralidade curricular e mostram que o currículo também é um espaço de poder. Em resumo: na visão materialista, cultura e diferença não aparecem no vazio, mas ligadas a relações sociais concretas, inclusive econômicas.