As concepções de planejamento de ensino adentraram as escolas, no decorrer dos tempos, apresentando-se com maneiras de pensar e prescrever modos de planejar um “bom” ensino de qualidade. Entretanto, no meio escolar, quando se fala em planejamento, são comuns as opiniões e reclamações dos atores da educação em dizer que são práticas burocráticas, sinônimo de mais trabalho ou que não condizem com a prática vivida. O planejamento da educação brasileira atualmente é feito com uma organização por níveis que se inter-relacionam e são indissociáveis. Esses níveis podem ser agrupados em três: planejamento educacional, planejamento curricular e planejamento de ensino. (Brito, 2015) Considere as diferentes perspectivas de planejamento de ensino que adentraram a escola nos últimos tempos, citando as perspectivas: tradicional, tecnicista, crítico-dialético (planejamento participativo) e o planejamento de ensino como estratégia de política cultural. Sobre concepção tecnicista, assinale a afirmativa correta.
- A)Surgiu nos anos 80 e 90 do século anterior; foi acolhida pelos educadores progressistas. O saber passou a valorizar a participação, o diálogo, o poder coletivo local, a formação da consciência crítica a partir da reflexão sobre a prática transformadora.
Errada, porque descreve uma perspectiva crítico-participativa, com diálogo, consciência crítica e ação transformadora, e não a concepção tecnicista.
- B)Apresenta um planejamento de ensino contendo um “roteiro” aplicado a qualquer realidade, pois orienta o professor; não se preocupa em contemplar o contexto social e as necessidades individuais dos alunos. É um “guia”, sempre retomando, servindo para anos e anos.
Errada, porque traz a ideia de roteiro padronizado e descontextualizado, mais próxima da visão tradicional ou prescritiva do ensino.
- C)É um planejamento de ensino que emerge no início dos anos 70 do século anterior. É visto como um processo sistematizado, mediante o qual se pode conferir maior eficiência às atividades educacionais para, em determinado prazo, alcançar o conjunto de metas estabelecidas.
Certa, porque define o planejamento tecnicista como processo sistematizado, voltado à eficiência e ao alcance de metas em determinado prazo.
- D)Propõe um planejamento numa visão política e um espaço de lutas culturais. Não pretende desprezar os conteúdos universais, nacionais e regionais, mas realizar ajustes e rearticulações de forma que ajude a compreender de que modo o funcionamento do poder, o estabelecimento de privilégios e a constituição de determinadas subjetividades movimentam a vida de uma sociedade em uma dada direção e não de outras.
Errada, porque fala em política cultural, disputa de poder e rearticulação de conteúdos, características de uma visão crítica do planejamento.
Gabarito: C
Quando a questão fala em planejamento de ensino, ela está olhando para a forma como o professor organiza objetivos, conteúdos, métodos e avaliação para orientar a prática em sala. Ao longo do tempo, surgiram diferentes visões: a tradicional tende a ser mais rígida e padronizada; a tecnicista vê o planejamento como instrumento de eficiência e controle; a crítico-dialética valoriza participação e contexto social; e a perspectiva de política cultural lê o ensino como espaço de disputa de sentidos. Na concepção tecnicista, o foco não está no diálogo com a realidade do aluno, mas na organização racional do processo para atingir metas previamente definidas. É a lógica da eficiência: planeja-se como quem monta uma máquina bem ajustada, com etapas, objetivos e resultados mensuráveis. Por isso, o planejamento aparece como um processo sistematizado voltado ao alcance de objetivos em prazo determinado. É exatamente isso que a alternativa C descreve. Ela associa a concepção tecnicista ao início dos anos 70 e destaca a ideia de eficiência das atividades educacionais para cumprir metas estabelecidas, que é a marca clássica dessa visão. Em linguagem de concurso: planejamento como instrumento técnico, linear e voltado a resultados. Já as abordagens mais participativas e críticas valorizam o contexto social, o debate coletivo e a reflexão sobre a prática. Então, se aparecer em prova algo como participação, consciência crítica e transformação social, desconfie: isso já sai do tecnicismo e entra em outra praia.