O processo didático se constitui em espiral, que projeta avanços e retrocessos constantes. Enfatizar o processo didático pela perspectiva relacional significa analisar suas características por meio de quatro dimensões: ensinar, aprender, pesquisar e avaliar. Segundo Veiga, “oprocesso didático assim sedesenvolve mediante a ação recíproca e independente das dimensões fundamentais. Integram-se, são complementares.” Sobre as dimensões do processo didático, está INCORRETO o que se afirma em:
- A)O processo didático é o espaço-tempo em que se dão as relações diretas e imediatas do ensinar, do aprender, do pesquisar e do avaliar, mas são relações isoladas e de estanques; apenas coexistem e não se interpenetram.
Errada, porque o processo didático é integrado e interdependente, não um conjunto de ações isoladas e estanques.
- B)A dimensão da avaliação é imprescindível e constitui-se de uma a ação didática que tem fortes repercussões sobre o estudante. É impossível pensar o ensino sem um processo cíclico e formativo de avaliação qualitativa e emancipatória.
Certa, pois a avaliação deve ser contínua, formativa e com função emancipatória no processo de ensino-aprendizagem.
- C)A aprendizagem é compreendida como resultante da interação entre os processos externos e internos da estrutura da cognição. Na efetivação da cognição, o estudante opera diante de um fato, um objeto, uma circunstância, um conhecimento/conteúdo.
Certa, porque descreve a aprendizagem como interação entre fatores externos e internos da cognição do estudante.
- D)O processo de ensino é revelador de intencionalidades, permeado por valores e contradições. Compreendendo que as intencionalidades educativas não são lineares nem independentes do contexto social, ensinar é mais que transmitir, significa desenvolver as potencialidades de uma pessoa.
Certa, pois o ensino envolve intencionalidade, valores, contexto social e desenvolvimento das potencialidades do estudante.
Gabarito: A
A ideia central aqui é que o processo didático não funciona como compartimentos fechados, mas como um conjunto integrado de ações: ensinar, aprender, pesquisar e avaliar caminham juntas e se influenciam o tempo todo. Na visão de Veiga, o processo didático é relacional e dinâmico, quase uma espiral, com avanços, ajustes e até recuos, porque ensinar bem exige observar como o estudante aprende, pesquisar a própria prática e avaliar continuamente o percurso. Na prática, isso significa que a aula não é só “passar conteúdo” nem a avaliação é um momento solto no fim do caminho. Tudo se interpenetra: o ensino orienta a aprendizagem, a pesquisa ajuda a qualificar a ação pedagógica e a avaliação retroalimenta o processo. É uma lógica formativa, crítica e integrada, bem distante da ideia de elementos isolados e estanques. É exatamente por isso que a alternativa A está incorreta: ela afirma que essas relações apenas coexistem, sem se interpenetrar, o que contraria frontalmente a perspectiva relacional defendida por Veiga. As demais alternativas seguem essa visão mais moderna e formativa do processo didático, especialmente ao destacar avaliação emancipatória, aprendizagem como interação cognitiva e ensino como ação intencional e contextualizada. Em termos doutrinários, essa leitura dialoga com a pedagogia crítica e com a concepção de avaliação formativa, muito usada em concursos quando a banca quer diferenciar ensino transmissivo de ensino como mediação. Então, quando aparecer linguagem como “isolado”, “estanques” ou “sem relação”, desconfie: geralmente é a pegadinha.