A criança deve ver a escrita como momento natural de seu desenvolvimento e não como treinamento imposto de fora para dentro: “o que se deve fazer é ensinar às crianças a linguagem escrita, e não apenas a escrita das letras”. (Vigotsky, 2007.) Considerando o exposto, o professor deverá:
- A)Preocupar-se apenas em alfabetizar, uma vez se ocupa da aquisição da escrita pelo indivíduo.
Errada, porque alfabetizar não é apenas adquirir a escrita de forma mecânica; a criança precisa também compreender usos e sentidos da linguagem escrita.
- B)Alfabetizar lado a lado com o letramento apesar de serem dois processos de significados diferentes.
Certa, porque a proposta pedagógica deve articular alfabetização e letramento, ensinando o sistema de escrita junto com suas práticas sociais.
- C)Preocupar com o letramento apenas, pois focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade.
Errada, porque o letramento sozinho não resolve a aprendizagem do sistema alfabético; a criança também precisa aprender o código escrito.
- D)Alfabetizar a criança de modo ser capaz de juntar letras para formar sílabas, juntar sílabas para formar palavras e palavras para formar frases e frases para formar textos.
Errada, porque reduz alfabetização a uma sequência mecânica de juntar letras, sílabas e palavras, sem considerar significado, uso social e compreensão.
Gabarito: B
A ideia central da questão é separar dois conceitos que caminham juntos, mas não são a mesma coisa: alfabetização e letramento. Alfabetizar é ensinar o sistema de escrita, isto é, como a língua funciona no papel, com letras, sons, sílabas e palavras. Já letrar é inserir a criança nas práticas sociais de leitura e escrita, fazendo com que ela use a escrita com sentido no cotidiano. Quando Vigotsky afirma que se deve ensinar a linguagem escrita e não apenas a escrita das letras, ele está apontando para uma aprendizagem viva, social e significativa. A criança não deve decorar letras como quem monta um quebra-cabeça sem imagem, mas perceber para que a escrita serve, onde aparece e como circula na vida real. Isso conversa muito com a visão sociointeracionista, em que aprender acontece na relação com o outro e com a cultura. Por isso, o professor deve alfabetizar lado a lado com o letramento. Na prática, isso significa ensinar o código escrito sem reduzir o trabalho à repetição mecânica, ao mesmo tempo em que oferece situações reais de leitura e produção de textos. A criança aprende a decodificar, mas também a compreender usos sociais da escrita. Esse entendimento é coerente com a perspectiva de autores como Magda Soares, muito cobrada em pedagogia: alfabetização e letramento são processos distintos, mas indissociáveis no ensino da língua escrita. Em resumo, a escola não deve escolher um ou outro, e sim articular os dois para formar leitores e escritores de verdade.