A questão ultrapassa, de fato, o contexto da sua simples utilização pedagógica e implica uma reflexão de conjunto sobre o acesso ao conhecimento. Novas tecnologias estão gerando, sob os nossos olhos, uma verdadeira revolução que afeta tanto as atividades ligadas à produção e ao trabalho quanto as ligadas à educação e formação. (DELORS, 1998.) A utilização da TICD possibilita uma dinâmica de interação entre os sujeitos presentes no meio educacional, bem como o fortalecimento do processo de ensino e aprendizagem. No entanto, o professor precisa ter alguns cuidados, tais como:
- A)Assumir sua função de protagonista incondicional do processo ensino-aprendizagem, utilizando os meios de comunicação e tecnologia, apenas como fontes de enriquecimento e ilustração sazonal em suas aulas e atividades.
Errada, porque transforma o professor em protagonista absoluto e reduz a tecnologia a mero enfeite sazonal, o que contraria o uso pedagógico intencional das TICs.
- B)Ficar atento à estrutura, organização e conhecimento, sem deixar de lado a didática voltada para o desenvolvimento dos alunos, nas suas dimensões: processos criativos; cognitivo; análise crítica; aproximações; e, associações.
Certa, porque enfatiza a organização do ensino e o desenvolvimento criativo, cognitivo e crítico dos alunos, que é justamente o cuidado esperado no uso educativo da tecnologia.
- C)Entender a utilização de tecnologias, como fruto das mudanças sociais, culturais, políticas e econômicas que a sociedade vem passando, e como tal, suscetíveis a novas mudanças. Nesse caso, não deve se acostumar a utilizá-los.
Errada, porque reconhece que as tecnologias mudam com a sociedade, mas conclui de forma incoerente que o professor não deve se acostumar a utilizá-las, negando sua integração pedagógica.
- D)Entender as contribuições de novas práticas pedagógicas, pautadas na tecnologia, sem, no entanto, esquecer que o que o interessa, na história, são ações ancestrais, como, a memorização e a ordenação factual da historiografia.
Errada, porque desvaloriza as práticas pedagógicas inovadoras e faz um retorno excessivo à memorização e à ordenação factual, contrariando a proposta de aprendizagem ativa e significativa.
Gabarito: B
As TICs na educação não servem só para "passar vídeo" ou enfeitar aula: elas mudam a forma como o aluno acessa, produz e compartilha conhecimento. Por isso, o professor precisa usá-las com intencionalidade pedagógica, e não como um acessório solto no planejamento. A tecnologia entra para ampliar participação, estimular criatividade, favorecer análise crítica e permitir novas formas de interação. É o velho princípio com roupa nova: recurso tecnológico bom é o que ajuda a aprender melhor, e não o que só faz barulho na sala. A alternativa correta é a B porque ela destaca exatamente esse cuidado: o professor deve observar a estrutura e a organização do conteúdo, sem abandonar uma didática voltada ao desenvolvimento integral do aluno, incluindo processos criativos, cognitivos, pensamento crítico, aproximações e associações. Isso está alinhado à visão de Delors, quando a educação é pensada como acesso ao conhecimento em um contexto de transformação social e tecnológica, e também com a ideia de uso pedagógico consciente das tecnologias prevista nas diretrizes educacionais, como a LDB, que valoriza o aperfeiçoamento das práticas e a articulação entre meios e objetivos de aprendizagem. As demais alternativas escorregam em excessos ou reduções: uma trata o professor como dono absoluto da aula, outra desvaloriza o uso contínuo das tecnologias, e a última olha para a escola como se memorização e factualidade fossem o centro de tudo. Em concurso, desconfie sempre de opções que colocam a tecnologia como enfeite, moda passageira ou inimiga da boa didática. O ponto é equilíbrio: tecnologia com propósito, professor com mediação e aluno com protagonismo.