Ferreira e Teberosky (1985) argumentam: “a criança procura ativamente compreender a natureza da linguagem que se fala à sua volta, e (...) tratando de compreendê-la, formula hipóteses, busca regularidades, coloca à prova suas antecipações e cria sua própria gramática. (...) ao tomar contato com os sistemas de escrita, a criança, através de processos mentais, praticamente reinventa esses sistemas, realizando um trabalho concomitante de compreensão da construção e de suas regras de produção/decodificação”. Em conformidade com as autoras citadas, as crianças ordenam conhecimentos sobre a leitura e a escrita, proveniente de distintas hipóteses – espontâneas e provisórias – inclusive,se adequar de todo o enredamento da língua escrita (Disponível em: https://editorarealize.com.br/editora/anais/Adaptado.) Considerando as hipóteses, segundo as autoras, relacione adequadamente as colunas a seguir. 1. Pré-silábica. 2. Silábica. 3. Silábico-alfabética. 4. Alfabética. ( ) O aprendiz compreende o princípio alfabético, percebendo unidades menores do que as sílabas, os fonemas e, gradualmente, domina suas correspondências com os grafemas. ( ) O aprendiz se encontra em transição entre níveis psicogenéticos e tanto pode representar sílabas completas quanto representações parciais da sílaba por uma só letra. Por exemplo, para elefante: ELEFT. ( ) O aprendiz faz experimentações diversas, utilizando, simultaneamente, desenhos e outros sinais gráficos, a grafia da palavra pode ser vista como representação fiel das características do objeto que representa, inclusive, pela extensão da escrita. ( ) O aprendiz percebe os sons das sílabas como segmentos da palavra a ser escrita, mas supõe que apenas uma letra pode representá-las graficamente, podendo ou não ter o valor sonoro convencional. Por exemplo: BNDA ou ELFT são quatro letras que podem representar a palavra ELEFANTE. A sequência está correta em
- A)4, 3, 1, 2.
Correta, pois a sequência associa adequadamente os níveis alfabético, silábico-alfabético, pré-silábico e silábico.
- B)3, 2, 1, 4.
Errada, porque troca a ordem dos níveis e desloca a descrição do princípio alfabético para outra etapa.
- C)3, 4, 2, 1.
Errada, pois inverte a sequência entre silábico-alfabético, alfabético, silábico e pré-silábico.
- D)2, 1, 4, 3.
Errada, porque começa com a etapa silábica e termina com a alfabética, contrariando as descrições dadas.
Gabarito: A
Ferreiro e Teberosky mostram que a criança não copia a escrita pronta como um robôzinho de caderno: ela formula hipóteses sobre como a língua funciona e vai ajustando essas ideias conforme entra em contato com a escrita. Por isso, os níveis psicogenéticos da escrita aparecem como etapas de construção do conhecimento, e não como simples memorização de letras. No nível pré-silábico, a criança ainda não relaciona de forma estável a escrita aos sons da fala e pode usar desenhos, rabiscos e critérios visuais, como tamanho e quantidade de traços. Na etapa silábica, ela já percebe que a fala pode ser segmentada em partes sonoras, mas tende a achar que uma letra basta para cada sílaba. Depois, no nível silábico-alfabético, surge a fase de transição: em alguns trechos a criança escreve por sílabas inteiras, em outros já tenta representar partes menores da palavra. Por fim, no nível alfabético, ela compreende o princípio alfabético e passa a relacionar fonemas e grafemas, ainda que continue aperfeiçoando ortografia e convenções. Aplicando isso ao enunciado: a descrição do aprendiz que compreende o princípio alfabético corresponde ao nível 4; a transição entre sílabas completas e partes da sílaba corresponde ao nível 3; o uso de desenhos, sinais gráficos e critérios visuais é pré-silábico, nível 1; e a ideia de uma letra para cada sílaba, com valor sonoro ou não, é silábica, nível 2. Assim, a sequência fica 4, 3, 1, 2, exatamente como no gabarito A. Em termos doutrinários, essa classificação é clássica na psicogênese da língua escrita, associada a Emília Ferreiro e Ana Teberosky, muito cobrada em concursos quando a banca quer ver se você entende a diferença entre hipótese de escrita e mera repetição mecânica.