A finalidade da Psicopedagogia contemporânea continua sendo a aprendizagem e a relação do sujeito com a aprendizagem. Isto não significa deixar de lado a compreensão do fenômeno dificuldade de aprendizagem. Para definir o que seja dificuldade de aprendizagem, é preciso considerar o contexto e o referencial teórico usado para fazer sua leitura. O que é considerado dificuldade em um contexto pode não ser considerado em outro, podendo ser entendido como pertinente ao processo de ensino-aprendizagem. Divergências teóricas, portanto, são dissonâncias pertinentes em nossa realidade e seria impossível pretender uniformizar a leitura do que seja uma dificuldade de aprendizagem. Provavelmente, uma visão que leve em consideração a complexidade enquanto paradigma poderá assimilar as contribuições das diferentes disciplinas de modo a compreender o sujeito da aprendizagem em suas múltiplas dimensões. Isto é, não apenas pelos aspectos relacionados com a subjetividade ou considerando apenas os aspectos orgânicos, ou somente o cenário sociocultural para explicar as dificuldades ou distúrbios como se queira nomear esse sofrimento humano. Os instrumentos utilizados no diagnóstico e na intervenção dependem dos conceitos de aprendizagem e de dificuldade de aprendizagem e, portanto, dos referenciais teóricos, e apesar dessas dissonâncias, é possível destacar alguns pontos comuns presentes no discurso psicopedagógico que expressam a práxis psicopedagógica. (Rubinstein, Castanho e Noffs, 2004.) Acerca do exposto, são pontos comuns e presentes no discurso e práxis psicopedagógica, EXCETO:
- A)Aprendizagem como processo: implica analisar as respostas a partir da compreensão do processo de produção e na intervenção sobre ele, ao invés de considerar somente a produção.
Certa, porque tratar a aprendizagem como processo exige analisar como o sujeito produz suas respostas, e não apenas o produto final.
- B)Aprendizagem como apropriação do conhecimento: implica não só na consideração das possibilidades cognitivas, mas também nas possibilidades psíquicas, mais especificamente nas possibilidades de simbolização daquele que aprende.
Certa, pois a Psicopedagogia considera tanto aspectos cognitivos quanto psíquicos, incluindo a simbolização na aprendizagem.
- C)Aprendizagem como transmissão do conhecimento através do outro: implica considerar aquele que ensina como parte integrante da relação entre o que aprende e o conhecimento. O termo transmissão convoca-o a ocupar um lugar, que não se resume ao de facilitador do processo de aprendizagem, mas cujo sentido põe em jogo a sua própria subjetividade.
Certa, já que a relação com quem ensina integra o processo de aprendizagem e envolve também a subjetividade do educador.
- D)Aprendizagem como articulação entre saberes prévios e novos conhecimentos: implica considerar as experiências de vida e os interesses daquele que aprende como fundamento para a aquisição de novos conhecimentos, dispensando uma análise das funções e operações cognitivas em jogo para a aquisição dos conhecimentos e conteúdos escolares, e a consideração sobre as possibilidades cognitivas que o sujeito tem para responder a novas exigências.
Errada, porque experiências prévias e interesses não dispensam a análise das funções cognitivas e das possibilidades do sujeito.
Gabarito: D
A Psicopedagogia contemporânea trabalha com uma ideia central: aprender não é só acertar respostas, mas compreender o sujeito em relação com o conhecimento, com o contexto e com a forma como ele simboliza o mundo. Por isso, quando fala em dificuldade de aprendizagem, ela não olha apenas para o “resultado final” da tarefa, e sim para o processo, para os vínculos, para a história escolar e para as condições cognitivas e psíquicas envolvidas. Na prática psicopedagógica, aparecem alguns pontos bem recorrentes: aprendizagem como processo, como apropriação do conhecimento, como relação com o outro que ensina e como articulação entre saberes prévios e novos saberes. Esses eixos combinam com a visão apresentada no enunciado, que destaca a complexidade do fenômeno e a necessidade de considerar múltiplas dimensões do sujeito. O gabarito é a letra D porque ela afirma que basta valorizar as experiências de vida e os interesses do aprendiz, dispensando a análise das funções cognitivas e das possibilidades do sujeito para responder às exigências escolares. Isso contraria exatamente a lógica psicopedagógica, que não abre mão de observar como a pessoa pensa, opera, simboliza e aprende. Ou seja: experiência prévia ajuda muito, mas não substitui a leitura das funções cognitivas. Então, a “pegada” da questão está nessa palavrinha traiçoeira: “dispensando”. A Psicopedagogia não trabalha com exclusão de dimensões, e sim com articulação delas. É uma leitura integradora, alinhada à abordagem da complexidade mencionada no texto.