O domínio da arte transcendeu as esculturas e os quadros e, hoje, todo e qualquer material pode ser apoderado pelos artistas e reconhecido como obra de arte. As fronteiras tornaram-se tênues e o produto artístico é mais uma das possibilidades de apreciação e fruição. Elucido sobre uma arte em que ideias, palavras, som, ar e tantos outros elementos efêmeros fazem parte da diversa paleta nos tempos contemporâneos. Em sua dissertação “A arte contemporânea como conteúdo e fundamento para a prática do ensino de artes”, a autora Marina Pereira de Menezes propõe-se a pensar processos e temáticas que se relacionam à arte contemporânea e à educação. Para a autora, a problemática central reside no fato de que parece existir um descompasso entre as produções de arte nos dias atuais frente ao que se aplica nos currículos escolares. Diante do exposto, no que se refere ao ensino da arte, bem como os questionamentos da autora, podemos afirmar que almeja:
- A)Enaltecer as propostas pré-formuladas dos livros didáticos assim como suas práticas e propostas.
Errada, porque enaltece livros didáticos e propostas prontas, o que vai na contramão da reflexão crítica e da atualização do ensino de arte.
- B)Ratificar a importância do ensino tradicional em artes e propor uma didática na práxis do profesor.
Errada, pois reforça um ensino tradicional em artes, exatamente o que a autora questiona ao apontar o descompasso com a arte contemporânea.
- C)Priorizar o produto artístico como foco da atenção e enfatizar as mudanças de pensamento ocorridas no cenário da arte moderna.
Errada, porque prioriza o produto artístico e a arte moderna, enquanto a questão trata da necessidade de aproximar a escola da arte contemporânea.
- D)Realizar uma análise das práticas desenvolvidas em sala de aula e identificar propostas para uma fundamentação da arte contemporânea ao ensino da arte.
Certa, pois propõe analisar as práticas de sala de aula e construir fundamentação para inserir a arte contemporânea no ensino de arte.
Gabarito: D
A questão gira em torno da distância entre a arte contemporânea e o que ainda costuma aparecer em muitos currículos escolares. Hoje, a arte não fica presa só à escultura, ao quadro ou ao objeto “bonito” para olhar. Ela pode usar corpo, som, palavra, espaço, performance, vídeo, instalação e até materiais efêmeros. Ou seja, a arte contemporânea amplia o jeito de criar, perceber e interpretar o mundo. Na educação artística, isso importa muito porque o ensino não pode ficar parado num modelo antigo, centrado só na reprodução de formas ou no produto final. O foco atual é também o processo, a experimentação, a leitura crítica e a relação da obra com o contexto. É justamente esse desencontro entre a produção artística atual e o que se ensina na escola que a autora problematiza. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela traduz a intenção de analisar as práticas da sala de aula e buscar formas de fundamentar a arte contemporânea no ensino de arte. Em outras palavras: não basta ensinar “desenho bonito” ou repetir modelos prontos; é preciso aproximar a escola das linguagens e dos sentidos da arte do nosso tempo. Esse olhar dialoga com a legislação educacional brasileira, especialmente a LDB (Lei nº 9.394/1996), que prevê o ensino de arte como componente curricular obrigatório, valorizando as diversas linguagens artísticas. Também conversa com uma abordagem mais contemporânea e crítica do ensino de arte, que entende o aluno como sujeito que aprecia, interpreta e produz sentidos.