De acordo com Lopes (1992), existem alguns pressupostos para que um planejamento de ensino da escola considere a dinamicidade do conhecimento escolar e sua articulação com a realidade histórica. Entre eles o de produzir conhecimentos com significado de processo, ter uma reflexão permanente sobre os conteúdos aprendidos buscando analisá-los sob diferentes pontos de vista. Um dos maiores desafios dos professores é o da produção de coerência entre o planejamento da escola e o planejamento de cada professor, ao nível do ensino propriamente dito. Acerca do exposto são consideradas dificuldades encontradas pelos docentes, EXCETO:
- A)Desconsideram que o plano de ensino da escola será colocado em prática concretamente; muitos julgam que ficará só no discurso.
Está correta como dificuldade, pois mostra a descrença de alguns docentes de que o plano da escola realmente sairá do papel.
- B)Algumas instituições exigem um planejamento participativo durante a organização do documento na escola e não como um instrumento de transformação social.
Está correta como dificuldade, já que algumas instituições tratam o planejamento participativo como mera formalidade, e não como ação transformadora.
- C)Compreensão da dimensão social e histórica do trabalho a ser realizado através do planejamento, partindo da realidade concreta e voltado para atingir as finalidades da educação básica definidas no projeto coletivo da escola.
Está errada, porque descreve um princípio adequado de planejamento e não uma dificuldade docente.
- D)Ausência de clareza teórico-conceitual e metodológica de certos conceitos utilizados com frequência nos marcos referenciais tais como: democracia, participação, justiça, liberdade, solidariedade, igualdade, consciência crítica.
Está correta como dificuldade, pois a falta de clareza sobre conceitos como democracia e participação atrapalha a construção do planejamento.
Gabarito: C
Lopes (1992) trabalha a ideia de que o planejamento de ensino não pode ser um papel bonito na gaveta: ele precisa dialogar com a realidade da escola, com a história dos alunos e com a função social da educação. Em outras palavras, planejar é pensar o ensino como processo, com significado, reflexão constante e ligação com o mundo concreto. Isso exige coerência entre o planejamento da escola e o planejamento do professor em sala. Quando a questão fala em dificuldades dos docentes, ela está apontando justamente os obstáculos para transformar o planejamento em prática viva e crítica. Entre esses obstáculos estão a falta de clareza sobre conceitos centrais, a distância entre discurso e ação e a visão de que o planejamento participativo vira só ritual burocrático. O gabarito é a letra C porque ela não descreve uma dificuldade encontrada pelos docentes, e sim uma postura desejável no planejamento: compreender a dimensão social e histórica do trabalho, partir da realidade concreta e orientar-se pelas finalidades do projeto coletivo da escola. Isso é meta de bom planejamento, não problema. Em termos doutrinários, a ideia combina com uma visão crítica e coletiva do planejamento escolar, muito próxima do que a LDB valoriza ao tratar da proposta pedagógica da escola e da gestão democrática do ensino público.