Discutir o currículo nem sempre é uma tarefa fácil, até porque o ele pode ter diferentes definições e, muitas vezes, a prática prevista nele não leva à formação de sujeitos capazes de exercer sua cidadania de forma crítica. O currículo agrega conteúdos, valores, técnicas, significados e muitos outros aspectos que precisam estar presentes no processo de ensino e aprendizagem. Segundo Moreira (2007, p. 17), é possível encontrar diferentes definições, mas se destaca aquelas apresentadas e influenciadas por fatores políticos, históricos, socioeconômicos e culturais. Diante do exposto e, ainda, considerando a construção de um currículo significativo, supõe-se discutir aspectos relevantes presentes na sociedade; analise-os. I. Buscar no currículo a contextualização histórica e cultural, favorecendo o desenvolvimento pleno do aluno. II. Abandonar os velhos esquemas reducionistas nos quais se valorizam o ensino por memorização e a fragmentação nas disciplinas. III. Entender a diversidade como uma construção histórica, cultural e social das diferenças, devendo ser apenas inserida no currículo como tema transversal. IV. Inserir Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no espaço escolar pressupõe uma nova forma de conceber o currículo, ou seja, um currículo articulado com e para a sociedade contemporânea. Está correto o que afirma em
- A)I, II, III e IV.
Errada, porque o item III traz uma limitação indevida ao tratar a diversidade apenas como tema transversal.
- B)II e III, apenas.
Errada, porque o item II também está correto ao rejeitar a memorização mecânica e a fragmentação curricular.
- C)I, II e IV, apenas.
Certa, pois os itens I, II e IV expressam uma visão crítica, contextualizada e atual de currículo.
- D)I, III e IV, apenas.
Errada, porque o item III não se sustenta ao reduzir a diversidade a uma inserção apenas transversal.
Gabarito: C
Currículo, em concurso, quase nunca é só uma lista de conteúdos. Ele também envolve escolhas políticas, culturais e sociais sobre o que ensinar, para quem ensinar e com que finalidade. Por isso, quando a questão fala em currículo significativo, ela está puxando para uma visão mais crítica e contextualizada, bem alinhada com autores como Moreira, que destacam o currículo como construção histórica e cultural. No item I, a ideia está correta porque o currículo precisa dialogar com a realidade histórica e cultural do aluno, favorecendo uma formação mais ampla e humana. Isso ajuda a romper com um ensino descolado da vida concreta, aquele famoso conteúdo que parece morar em outro planeta. O item II também está certo, porque critica os modelos reducionistas baseados só em memorização e fragmentação disciplinar. A LDB (Lei 9.394/1996) e as Diretrizes Curriculares Nacionais apontam para uma formação integral, o que exige mais integração entre saberes e menos ensino mecânico. O item IV igualmente está correto: inserir TICs no espaço escolar implica repensar o currículo para a sociedade contemporânea, com novas linguagens, interações e práticas pedagógicas. Já o item III está errado porque a diversidade não deve ser tratada apenas como tema transversal; ela precisa atravessar o currículo de forma estrutural, e não aparecer como um “apêndice bonitinho” no fim do plano.