Para o senso comum, o aprendiz acumula conhecimentos: ele é um acumulador de conhecimentos; para os behavioristas, o aprendiz modifica de forma duradoura uma ou várias condutas: ele é um transformador de comportamentos; para os cognitivistas oriundos do tratamento da informação, o aprendiz recebe do exterior informações que ele trata de forma ativa: ele é um receptor ativo de informações externas; para os construtivistas, o aprendiz constrói seus conhecimentos em interação com o meio: ele é um criador de conhecimentos. (Joannaert e Borght, 2002: 204. Apud STAMATTO, 2007.) Há uma grande variedade de correntes de pensamento que influenciaram e influenciam o ensino de História e percebe-se que o lugar do aluno no processo didático modifica-se. Em relação ao papel do professor:
- A)As variações são mínimas, pois as metodologias de ensino, tanto as mais antigas quanto as contemporâneas têm em comum como foco principal o aluno e não o professor.
Errada, porque as metodologias antigas e contemporâneas não têm o mesmo foco principal, já que o papel do professor e do aluno muda bastante entre elas.
- B)O mesmo não ocorre, uma vez que, independente da perspectiva de ensino, o professor tem que ser sempre o mentor e o reprodutor de conteúdo, a fim de que a aprendizagem realmente aconteça.
Errada, porque o professor não precisa ser sempre mero reprodutor de conteúdo; em várias correntes ele atua como mediador, organizador e provocador da aprendizagem.
- C)Às vezes acontece da mesma forma, podendo variar desde aquele mestre caracterizado pela transferência de informações ou aquele que cria desafios, oportuniza o saber ou mesmo media o conhecimento.
Certa, porque reconhece que o papel do professor pode variar de transmissor de informações a mediador que cria desafios e favorece a construção do conhecimento.
- D)Podem acontecer ou não variações, pois sendo um orientador crítico e reflexivo, o professor estará atendendo apenas alguns tipos de aluno e, ao contrário, sendo um docente mais rígido, garantirá a aprendizagem de uma maioria.
Errada, porque opõe de forma simplista estilos de ensino e não sustenta que um professor rígido garanta aprendizagem da maioria.
Gabarito: C
A questão trabalha uma ideia central muito comum em Pedagogia e no ensino de História: o papel do professor muda conforme a corrente de ensino adotada. Em abordagens mais tradicionais, o professor aparece como aquele que transmite conhecimentos prontos, quase como uma “voz que fala e o aluno copia”. Já em propostas mais ativas e construtivistas, ele deixa de ser o dono absoluto do saber e passa a organizar situações de aprendizagem, propor problemas e mediar a construção do conhecimento. Isso faz toda a diferença no processo didático. Se o aluno é visto como alguém que apenas recebe informações, o professor tende a ser mais expositivo e diretivo. Se o aluno é entendido como sujeito ativo, que constrói sentidos em interação com o meio, o professor assume um papel de orientador, provocador e mediador. Em outras palavras: o lugar do aluno mexe, e o do professor também mexe junto. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela é a única que reconhece que o professor pode variar de função conforme a perspectiva pedagógica: pode ser o mestre da transferência de informações, ou aquele que cria desafios, oportuniza o saber e media o conhecimento. Essa visão está alinhada a discussões clássicas da didática e às correntes construtivistas e socioconstrutivistas, muito usadas para pensar o ensino de História. As demais alternativas escorregam justamente por serem absolutas ou simplificarem demais o papel docente. Em pedagogia, quase nunca a resposta boa vem com “sempre”, “nunca” ou “tanto faz”: isso costuma ser o aviso de que a banca está testando sua atenção.