O movimento multiculturalista se inicia no final do século XIX nos Estados Unidos com a ação principal do movimento negro para combater a discriminação racial no país e lutar pelos seus direitos civis. Segundo Silva e Brandim (2008:56), “os precursores do multiculturalismo foram professores, doutores afro-americanos, docentes universitários na área dos estudos sociais que trouxeram por meio de suas obras, questões sociais, políticas e culturais de interesse para os afrodescendentes”. Esses precursores foram essenciais para que no século XX por meio de novos intelectuais o tema se voltasse também à educação. O pós-modernismo que defende a valorização da pluralidade cultural no seu discurso curricular ajuda o fortalecimento dos estudos multiculturais nos anos 80 e 90. Hoje, na contemporaneidade, o tema é influenciado pela globalização; com os intercâmbios culturais fala-se de uma hegemonia cultural o que tem causado problemas sociais. Segundo os autores citados, há, pelo menos, quatro tendências de multiculturalismo enquanto projeto político: o multiculturalismo conservador; multiculturalismo humanista liberal; multiculturalismo liberal de esquerda; e, multiculturalismo crítico e de resistência. Sobre o multiculturalismo crítico e de resistência, assinale a afirmativa correta.
- A)Ressalta a existência de uma igualdade natural entre as diversas etnias, sem se preocupar em evidenciar a falta de oportunidades iguais em termos sociais e educacionais.
Errada, porque fala em igualdade natural sem enfrentar as desigualdades sociais e educacionais reais entre os grupos.
- B)É aquele que pretende construir uma cultura comum, o que faz com que a partir desse princípio negue a diversidade existente e construída há séculos e que nos leva a entender a sua defesa a uma cultura padrão e branca.
Errada, porque descreve uma lógica assimilacionista, que busca uma cultura comum e acaba apagando a diversidade.
- C)Defende a diversidade cultural, foca mais nas diferenças e em respeitá-las, esquecendo-se que elas são formadas nas pessoas pela interação do meio social em que convivem sendo negativa a tendência a elitizar outros grupos ao mesmo tempo em que deixa de lado a participação de outros grupos nas discussões multiculturais.
Errada, porque trata a diversidade de forma superficial e não reconhece que as diferenças são construídas nas relações sociais e de poder.
- D)Levanta a bandeira da pluralidade de identidades culturais, a heterogeneidade como marca de cada grupo e opõe-se à padronização e uniformização definidas pelos grupos dominantes. Celebrar o direito à diferença nas relações sociais como forma de assegurar a convivência pacífica e tolerante entre os indivíduos caracteriza o compromisso com a democracia e a justiça social, em meio às relações de poder em que tais diferenças são construídas.
Certa, porque expressa a defesa da pluralidade cultural, da diferença e da crítica à padronização imposta pelos grupos dominantes.
Gabarito: D
O multiculturalismo, em linhas gerais, discute como diferentes grupos culturais coexistem numa sociedade e como a escola deve lidar com isso sem transformar a diferença em desigualdade. Na educação, o tema aparece ligado ao currículo, à representatividade e ao combate à ideia de que existe uma cultura “normal” e todas as outras são secundárias. Isso conversa muito com a Constituição Federal, que protege a igualdade e repudia qualquer forma de discriminação, e também com a LDB, que orienta o ensino para o respeito à diversidade cultural brasileira. Quando a questão fala em multiculturalismo crítico e de resistência, ela está indo além do simples “vamos respeitar todo mundo”. A ideia central é perceber que as diferenças culturais não são neutras: elas são atravessadas por relações de poder, por exclusões históricas e por disputas sociais. Ou seja, não basta celebrar a diversidade como enfeite de calendário escolar; é preciso enfrentar as hierarquias que silenciam certos grupos e privilegiam outros. É por isso que o gabarito é a letra D. Ela descreve justamente a pluralidade de identidades culturais, a heterogeneidade dos grupos e a oposição à padronização imposta pelos grupos dominantes. Além disso, liga a diferença à democracia e à justiça social, que é a cara do multiculturalismo crítico: reconhecer que a convivência pacífica só faz sentido se houver respeito real, participação e enfrentamento das assimetrias de poder. Em prova, fique atento: a banca gosta de misturar multiculturalismo com uma visão mais “bonita” e genérica de tolerância. Só que, no multiculturalismo crítico, o foco não é apenas aceitar diferenças, e sim questionar por que algumas culturas têm mais voz, prestígio e espaço do que outras.