Questões de gênero, religião, raça/etnia ou orientação sexual e a sua combinação direcionam práticas preconceituosas e discriminatórias da sociedade contemporânea. Se o estereótipo e o preconceito estão no campo das ideias, a discriminação está no campo da ação, ou seja, é uma atitude. É a atitude de discriminar, de negar oportunidades, de negar acesso, de negar humanidade. Nessa perspectiva, a omissão e a invisibilidade também são consideradas atitudes, também se constituem em discriminação. (Carrara, 2009, p. 27.) Diante do exposto e considerando o cenário escolar atual, percebe-se a necessidade de repensar as práticas escolares, para melhor atender essas problemáticas que permeiam os muros das escolas; pensando nas possibilidades de mudanças, as práticas pedagógicas devem, EXCETO:
- A)Evitar temas, tais como as discriminações, uma vez que tratar deles na sala de aula seria como acordar preconceitos que estão adormecidos, provocando um efeito contrário, aumentando ainda mais o preconceito quando essas situações acontecem.
Errada, porque evitar o debate sobre discriminações reforça a invisibilidade e contraria a função educativa de enfrentar preconceitos.
- B)Ser focada num currículo escolar e em uma pedagogia democrática, que deve primeiramente começar reconhecendo que os indivíduos são diferentes uns dos outros, que pensam e têm costumes diferentes, e que quando entram na escola já possuem um capital cultural, construído anteriormente.
Certa em seu conteúdo, pois defende currículo democrático, reconhecimento das diferenças e valorização do capital cultural dos alunos.
- C)Trabalhar com vistas à superação de preconceitos, estereótipos e da discriminação, dentro e fora do ambiente escolar, almejando que cada indivíduo possa repensar suas ações, no sentido de valorizar o outro como igual, independentemente de sua raça, gênero, religião, orientação sexual ou classe social.
Certa em seu conteúdo, pois propõe combater preconceitos e discriminações dentro e fora da escola com foco no respeito ao outro.
- D)Priorizar o ensino e a aprendizagem sob o prisma de uma pedagogia pautada na democracia, que seja capaz de admitir a existência das diferenças e valorizá-las, tendo em vista sempre a construção de uma nova sociedade, ajudando a transformar os alunos em seres solidários, respeitosos e capazes de conviver em união.
Certa em seu conteúdo, pois associa pedagogia democrática à valorização das diferenças e à formação para a convivência respeitosa.
Gabarito: A
A questão trabalha um ponto central da educação contemporânea: a escola não pode fingir que preconceito, discriminação e desigualdade não existem. Quando gênero, raça, religião, orientação sexual e outras diferenças entram em cena, a prática pedagógica precisa agir para reconhecer, problematizar e enfrentar essas situações, e não varrê-las para debaixo do tapete. Na educação, omissão também comunica mensagem, e geralmente é uma mensagem ruim: a de que certos grupos podem seguir invisíveis. Por isso, o caminho esperado é uma pedagogia democrática, inclusiva e voltada à valorização das diferenças, alinhada com princípios constitucionais como a igualdade e a dignidade da pessoa humana, além das diretrizes educacionais que reforçam o respeito à diversidade e o combate a qualquer forma de discriminação. A escola tem papel formativo, então ela deve ensinar convivência, respeito e justiça social, não apenas conteúdo. O gabarito é a letra A porque ela defende exatamente o oposto do que se espera de uma prática pedagógica comprometida com os direitos humanos: propõe evitar o debate sobre discriminações. Isso está errado, já que tratar desses temas não aumenta o preconceito por si só; ao contrário, ajuda a desnaturalizá-lo, dando linguagem, reflexão e enfrentamento a situações que já existem no cotidiano escolar. Em resumo: a escola não deve silenciar sobre diferenças e desigualdades. Ela deve abrir espaço para conversa crítica, valorização da diversidade e construção de relações mais respeitosas, porque educar também é ensinar a conviver.