Os projetos educacionais que envolvem atividades em grupo são importantes para que as crianças e os adolescentes desenvolvam habilidades essenciais para a sua formação como estudantes e futuros cidadãos. “Tudo o que a gente aprende é sempre na relação com o outro.” Essa é a frase usada por Ana Maria de Aragão, professora do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para definir a importância do trabalho em grupo nas escolas. Em contato uns com os outros, crianças e adolescentes podem se ouvir, trocar ideias e perceber novas formas de produzir conhecimento, o que é fundamental para o desenvolvimento cognitivo. “Essa troca pode fazer com que o aluno pare e pense sobre aquele objeto de conhecimento, e tenha reflexões [...].” (Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/21687/trabalho-em-grupo-entenda-a-sua-importancia-e-como-promove-lo-na-escola. Adaptado.) Sobre o exposto e, ainda, considerando as competências e as habilidades a serem desenvolvidas pelos discentes de acordo com as atividades propostas na educação relacionadas às atividades desenvolvidas em grupo, assinale afirmativa INCORRETA.
- A)Gera conflitos e divergências; contudo, aprende-se a desenvolver a tolerância, a expressar ideias e pensamentos, a escutar os pares, pois é necessário compreender o que os demais estão expressando.
Está correta, porque reconhece que o trabalho em grupo pode gerar conflitos, mas também desenvolver tolerância, escuta e expressão de ideias.
- B)Desenvolve o pensamento científico, crítico e criativo, possibilitando a busca de soluções inovadoras para problemas de suas realidades, mas usando sempre o conhecimento e a análise crítica na busca dessas soluções.
Está correta, pois relaciona o trabalho em grupo ao desenvolvimento do pensamento científico, crítico e criativo, em linha com a BNCC.
- C)Entende que a homogeneidade do grupo é um aspecto a ser valorizado, pois, incluir pessoas o mais semelhante possível, com pontos de vista, habilidades de aprendizagem e experiências de vida bem parecidas, garante o aprendizado e a comunicação.
Está errada, porque a escola deve valorizar a diversidade e a interação entre diferentes, e não a homogeneidade como condição para aprender.
- D)Compreende que a comunicação é essencial e todos os integrantes precisam se comunicar o tempo todo, desde o primeiro contato com o tema proposto. Devem, também, decidir quais as responsabilidades de cada um, os métodos de pesquisa, os prazos, dentre outros.
Está correta, já que a comunicação, a divisão de responsabilidades e o planejamento conjunto são elementos essenciais do trabalho colaborativo.
- E)Exercita a empatia e o diálogo, fazendo-se respeitar e promover o respeito em relação ao outro com o acolhimento e a valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
Está correta, porque a proposta destaca empatia, diálogo, respeito e valorização da diversidade, exatamente como orientam as competências gerais da BNCC.
Gabarito: C
Trabalho em grupo, na escola, não é só juntar gente e pedir para “dividir a tarefa”. A ideia pedagógica é justamente fazer o aluno aprender a conviver, argumentar, ouvir, negociar e respeitar diferenças, porque conhecimento também se constrói na interação. Isso dialoga com a BNCC, especialmente com as competências gerais ligadas à empatia, ao diálogo, à cooperação, ao pensamento crítico e à valorização da diversidade. Por isso, em atividades coletivas, é comum aparecerem divergências e até conflitos. E isso não é um desastre: muitas vezes, é o material bruto da aprendizagem. Quando o estudante precisa explicar seu ponto de vista e escutar o do colega, ele exercita tolerância, comunicação e reflexão. A escola ganha quando transforma diferença em aprendizagem, e não quando tenta apagar as diferenças. O item C está errado porque afirma que a homogeneidade do grupo deve ser valorizada, como se fosse melhor reunir pessoas muito parecidas em habilidades, experiências e ideias para garantir aprendizado. Na verdade, o oposto costuma ser mais rico pedagogicamente: a diversidade de perfis amplia as trocas, favorece a construção de sentidos e desenvolve competências socioemocionais e cognitivas. A BNCC reforça essa lógica ao valorizar o respeito à diversidade, o diálogo e a cooperação. Então, a chave da questão é esta: grupo escolar bom não é grupo “clone”, mas grupo que aprende com a diferença. Se a banca falar em diversidade, empatia, cooperação e diálogo, acenda o sinal verde. Se ela elogiar homogeneidade como regra para aprender melhor, desconfie.