O termo técnico deriva do grego tékhne, sendo seu significado “arte ou habilidade”. A técnica no âmbito educacional passou a ser o método pelo qual se pretende realizar o processo ensino-aprendizagem, em que se destacam a partir dos anos 70, do século anterior, a pedagogia tecnicista, cujo enfoque são as técnicas, das quais os professores deveriam aprendê-las. Todavia, a técnica de ensino não é um método concreto, ou uma receita que garanta sucesso sempre que aplicada. Algumas técnicas, dependendo do ambiente, se tornam inadequadas para a realidade. As técnicas se organizam em torno de procedimentos didáticos, que são passos, atividades, ações que o professor e os alunos desenvolverão durante a realização da aula. Pode-se dizer que uma técnica de ensino é um conjunto de procedimentos sistematizados a partir das aprendizagens que serão desenvolvidas pelos alunos. (Disponível em: https://www.ufrgs.br/psicoeduc. Adaptado.) Acerca do exposto, é possível afirmar que a técnica da aula expositiva dialogada, pode se transformar num equívoco, quando o professor
- A)supera o tradicionalismo evitando o monólogo.
Errada, porque superar o tradicionalismo e evitar o monólogo é justamente o objetivo da aula expositiva dialogada, não um equívoco.
- B)precede de uma introdução, desenvolvimento e conclusão.
Errada, porque introdução, desenvolvimento e conclusão são etapas normais de uma boa exposição e não configuram erro.
- C)evita a mecanização e o improviso para que não se torne repetitiva e suscite a participação dos alunos.
Errada, porque evitar mecanização e improviso ajuda a técnica a funcionar melhor, tornando a aula mais organizada e participativa.
- D)possibilita a passividade intelectual dos alunos quando mobiliza as estruturas mentais deles sem estabelecer conexões entre o conteúdo e a realidade.
Certa, porque a técnica vira um equívoco quando não estabelece conexões com a realidade e acaba preservando a passividade intelectual dos alunos.
Gabarito: D
A aula expositiva dialogada é aquela em que o professor expõe o conteúdo, mas não transforma a turma em plateia de cinema mudo. Ele provoca perguntas, ouve respostas, relaciona ideias e estimula o aluno a pensar durante a explicação. A lógica aqui é bem diferente da aula puramente expositiva, em que o estudante só recebe informação e pronto. O ponto central é que a técnica só funciona de verdade quando gera participação, reflexão e ligação com a realidade do aluno. Se a exposição “mobiliza” a turma, mas não cria conexão entre o conteúdo e o cotidiano, o risco é virar uma fala que parece participativa, mas mantém a passividade intelectual. Em outras palavras: a conversa existe, mas o pensamento não sai do lugar. Por isso o gabarito é a letra D. Ela descreve exatamente o equívoco da técnica quando o professor até estimula estruturas mentais, mas não promove sentido, relação prática e construção real do conhecimento. Sem esse vínculo com a realidade, a aula perde o caráter dialogado e pode continuar sendo apenas uma exposição com enfeite. Esse entendimento combina com uma visão pedagógica mais crítica, em que o ensino não é mera transmissão mecânica de conteúdo. A aula dialogada precisa ser viva, contextualizada e significativa, senão vira aquele momento em que todo mundo fala um pouco, mas ninguém realmente aprende muito.