Cerca de 5% das crianças e dos adolescentes brasileiros são superdotados. O país tem dificuldade para identificar e desenvolver esses pequenos gênios, apesar da legislação prever o seu amparo. Os autores Freeman e Guenther (2000) assinalam que a falta de oportunidades pode conduzir a
- A)ocupação do tempo com mecanismos próprios para enfrentar adversidades.
Correta: a falta de oportunidades pode levar a mecanismos próprios de adaptação e enfrentamento das dificuldades, em vez de desenvolvimento pleno do potencial.
- B)alta resistência à frustração, enfrentando o binômio: competitividade-inércia.
Errada: a alternativa descreve traços que não correspondem ao efeito apontado pelos autores e mistura conceitos sem relação direta com a falta de oportunidades.
- C)tendência a tarefas rotineiras e repetitivas, bom nível de envolvimento social.
Errada: tarefas rotineiras e bom envolvimento social não traduzem o problema descrito, que é a resposta defensiva ao não atendimento das necessidades do superdotado.
- D)autoconceito elevado, boa aceitação de críticas e aquiescência às autoridades.
Errada: autoconceito elevado e aquiescência às autoridades não são a consequência indicada pela literatura citada na questão.
Gabarito: A
A questão trata da superdotação, que é uma das necessidades educacionais especiais previstas no ordenamento brasileiro. A Constituição Federal e, de forma mais direta, a LDB (Lei 9.394/1996, art. 58), além das diretrizes da educação especial na perspectiva inclusiva, garantem atendimento educacional adequado a estudantes com altas habilidades/superdotação. Na prática, não basta "ter dom": se a escola não identifica e não oferece desafios, esse potencial pode ficar escondido ou até ser mal direcionado. Freeman e Guenther destacam justamente que a falta de oportunidades pode gerar um tipo de acomodação defensiva: a criança ou o adolescente passa a ocupar o tempo com mecanismos próprios para enfrentar as adversidades. Em vez de desenvolver plenamente suas capacidades, acaba criando estratégias de adaptação para lidar com a ausência de estímulos, de reconhecimento e de desafios compatíveis com seu potencial. Por isso o gabarito é a alternativa A. A ideia central não é romantizar o superdotado como alguém sempre bem-sucedido, motivado e equilibrado, mas mostrar que, sem apoio educacional, o talento pode ser sufocado e a vida escolar virar uma espécie de "modo de sobrevivência". E escola que não desafia aluno talentoso costuma desperdiçar potencial - um desperdício pedagógico e social. Então, quando a banca fala em falta de oportunidades, pense em subaproveitamento, desmotivação e estratégias de compensação. Em pedagogia, isso aparece muito ligado à importância da identificação precoce, do enriquecimento curricular e do atendimento educacional especializado.