Mais de 70% das escolas particulares no Brasil registram casos de bullying Este levantamento revela que 73,21% das instituições de ensino privadas no país passaram por algum tipo de episódio de bullying. A pesquisa foi realizada entre 6 de março e 13 de abril, de maneira online e presencial, em mais de 1.500 escolas da rede particular no país, ao ouvir donos de escolas e coordenadores pedagógicos. Conforme o levantamento, 62,5% dos casos reportados aconteceram no Ensino Fundamental II, que compreende alunos entre 11 e 15 anos. Quando considerados os casos do Fundamental I são mais de 77% das ocorrências. Em relação à motivação para o bullying, a pesquisa traz os seguintes números: violência psicológica, com 30%; racismo, com 11%; depreciação de classe social, com 5%; xenofobia e homofobia, ambas com 2% cada; outras motivações com 43%. Em 7% das escolas pesquisadas não houve casos. (Disponível em https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2023/04/17/interna_nacional,1482695/mais-de-70-das-escolas-particulares-no-brasil-registram-casos-de-bullying.shtml. Acesso em: 04/04/2023.) Considerando esta situação, que não é exclusividade de escolas particulares, a escola deverá:
- A)Ignorar o bullying, pois é uma questão a ser resolvida entre os alunos, sem interferência da instituição.
Errada: a escola tem dever de agir, prevenir e intervir, não podendo tratar o bullying como problema exclusivamente entre alunos.
- B)Punir severamente os agressores, com suspensões e medidas disciplinares rigorosas, para desencorajar o comportamento de bullying.
Errada: punição sozinha não resolve o problema, porque o enfrentamento eficaz exige prevenção, educação e acompanhamento pedagógico.
- C)Incentivar o estudante vítima de bullying a enfrentar os agressores sozinho, para desenvolver sua autonomia e habilidade de resolução de conflitos.
Errada: a vítima não deve ser colocada para enfrentar o agressor sozinha, pois isso aumenta a vulnerabilidade e transfere à vítima uma responsabilidade que é da escola.
- D)Implementar um programa abrangente de prevenção ao bullying, com atividades educativas, conscientização e intervenção nas situações de bullying.
Certa: a escola deve adotar ações preventivas e formativas, com conscientização, orientação e intervenção nas situações de bullying.
Gabarito: D
O bullying não é uma "briga de aluno" para a escola fingir que não viu. Ele é uma forma de violência repetitiva, intencional e, em geral, marcada por desequilíbrio de poder, capaz de atingir a aprendizagem, a convivência e a saúde emocional de quem sofre as agressões. Por isso, a resposta escolar precisa ser institucional, planejada e contínua, e não só um puxão de orelha eventual. No Brasil, a Lei 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, justamente para orientar ações de prevenção, conscientização e enfrentamento do bullying. Além disso, a LDB e o ECA reforçam o dever da escola de garantir um ambiente seguro, respeitoso e favorável ao desenvolvimento integral do estudante. Em outras palavras: a escola não pode cruzar os braços nem tratar o problema como normal. A alternativa D está correta porque propõe um programa abrangente, com atividades educativas, conscientização e intervenção. Isso é o caminho certo: prevenir antes que vire rotina, orientar a comunidade escolar e agir quando a situação acontece. Combate ao bullying não é só punir depois do estrago; é educar, monitorar e intervir com responsabilidade. As demais alternativas erram porque apostam em omissão, punição isolada ou no "se vira" da vítima. Em pedagogia, o foco é a proteção, a mediação e a construção de cultura de respeito, não a lógica do "cada um por si".